
Indústrias de São Bento do Sul e região, no Norte de Santa Catarina, pretendem obter o selo de Indicação Geográfica (IG) até o final de 2026. A iniciativa, apoiada pelo Sebrae, visa valorizar a tradição centenária da madeira maciça e combater o uso indevido do nome do polo moveleiro no mercado.
O que é a certificação de Indicação Geográfica que o polo está buscando?
A Indicação Geográfica (IG) é um selo oficial que reconhece que um produto possui qualidades únicas por ser fabricado em uma região específica e com técnicas tradicionais. No caso de São Bento do Sul, o objetivo é provar que seus móveis são realmente feitos de madeira maciça, e não de painéis processados como MDF, diferenciando o produto legítimo de imitações vendidas no mercado nacional.
Qual é a principal diferença técnica dos móveis produzidos na região?
Enquanto a maioria dos polos moveleiros do Brasil utiliza cerca de 95% de chapas processadas (como o MDF e o MDP), o polo catarinense segue o caminho inverso: 95% da produção é composta por madeira sólida (maciça). O uso de pinus reflorestado e tecnologias modernas de design permite que essas peças sejam duráveis, sustentáveis e mais fáceis de restaurar ao longo do tempo.
Como essa certificação pode ajudar a economia local?
O selo deve fortalecer as vendas para o exterior, principalmente na Europa, onde os consumidores valorizam produtos certificados e rastreáveis. Além disso, a experiência de outras cidades, como a banana de Corupá, mostra que o reconhecimento oficial gera orgulho na comunidade e pode impulsionar o turismo industrial, atraindo visitantes interessados na história e no lazer da região.
Quais cidades fazem parte desse polo centenário?
A iniciativa abrange as indústrias das cidades de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho. Essas cidades formam um polo histórico onde o trabalho com a madeira começou ainda no século XIX com imigrantes europeus, evoluindo da fabricação de barris para erva-mate até se tornarem grandes exportadoras de mobília de alta qualidade.
Qual é o maior desafio enfrentado pelo setor atualmente?
O principal obstáculo é a renovação da mão de obra. Muitos jovens estão trocando o trabalho nas fábricas por outras áreas de tecnologia. Para atrair novos talentos, as empresas estão investindo em programas escolares para mostrar que a marcenaria moderna hoje utiliza robótica, automação e softwares complexos, buscando resgatar o senso de pertencimento nas novas gerações.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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