
Santa Catarina e lideranças industriais contestam a proposta do governo federal de fatiar a Malha Sul ferroviária em três lotes. Durante audiência pública em Florianópolis, no dia 31 de julho de 2026, o estado alertou que o modelo pode causar a perda de 41% da sua malha atual, além de isolar regiões produtoras e portos estratégicos, prejudicando a competitividade econômica catarinense.
O que prevê o plano de fatiamento da Malha Sul proposto pela União?
A proposta do governo federal, estruturada para substituir o contrato atual em 2027, divide os 4,2 mil quilômetros da ferrovia em três corredores independentes: Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul. Embora licitados juntos, cada trecho terá um contrato próprio. O objetivo da União é tornar os lotes mais atrativos, usando recursos do trecho mais lucrativo (Paraná–SC) para financiar a recuperação e operação dos demais, que são considerados deficitários.
Quais são os principais riscos apontados pelo governo catarinense?
O maior temor é o encolhimento da rede ferroviária no estado. Hoje, apenas 17% da malha catarinense opera efetivamente. Com a divisão, trechos vitais como o eixo Mafra–Lages podem ficar sem investimentos. Além disso, o projeto atual não garante a conexão direta com portos importantes, como Itapoá e Navegantes. Isso obriga o transporte de cargas a continuar dependendo de rodovias como a BR-101, que já está saturada e em situação crítica.
Como o fatiamento afeta a economia do oeste de Santa Catarina?
A região oeste é uma das maiores produtoras de proteína animal do mundo, mas depende da chegada de milho do Centro-Oeste para alimentar os animais. Sem uma ferrovia eficiente que integre a produção aos portos catarinenses, o custo logístico sobe e ameaça a sobrevivência da agroindústria local. Lideranças defendem que o estado não pode ser apenas um local de passagem, mas precisa de um corredor próprio que atenda suas necessidades regionais específicas.
Qual é o próximo passo nas negociações entre o estado e a ANTT?
O governo de Santa Catarina pede mais transparência nos estudos e um prazo adicional de dois anos para discutir a modelagem. A ANTT se mostrou aberta ao diálogo e pode rever o cronograma se houver necessidade de aperfeiçoamentos. O prazo para o envio de sugestões termina em 10 de agosto de 2026. Depois disso, a agência analisará as contribuições antes de enviar o projeto final para validação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





