
Santa Catarina consolidou-se como o maior reduto conservador do Brasil através de décadas de liderança política alinhada a valores tradicionais e ao liberalismo econômico. Esse fenômeno reflete uma herança cultural europeia e uma forte resistência à centralização do poder federal.
O que explica o forte conservadorismo na política catarinense?
O perfil do estado combina força econômica com valores culturais. O dinamismo da indústria e do agronegócio alimenta um discurso de autonomia e eficiência, enquanto as tradições comunitárias, a religiosidade e a herança da imigração europeia facilitam a adesão a pautas de centro-direita. Além disso, a presença de uma classe média robusta favorece propostas de preservação de patrimônio, menor carga tributária e confiança no mercado, reduzindo o espaço para partidos de esquerda.
Quais nomes históricos ajudaram a construir essa base ideológica?
Figuras como Jorge Bornhausen e Esperidião Amin foram fundamentais. Bornhausen atuou desde a época da redemocratização, fundando o PFL e liderando a oposição nacional. Amin, com trajetórias no PDS e PP, governou o estado por dois períodos e permanece no Senado até hoje. Luiz Henrique da Silveira e Raimundo Colombo também contribuíram para uma cultura política de estabilidade institucional e eficiente gestão da máquina pública sob o comando de forças de centro-direita.
Como a eleição de 2018 representou um ponto de mudança no estado?
A vitória de Carlos Moisés marcou a entrada da direita mobilizada pelas redes sociais e impulsionada pelo fenômeno Jair Bolsonaro. Embora Moisés tenha rompido com Bolsonaro durante a gestão, sua eleição com mais de 71% dos votos mostrou a força do eleitorado conservador catarinense. Esse período consolidou Santa Catarina como um 'farol' político no cenário nacional, onde lideranças locais ganharam visibilidade ao defender pautas como segurança pública e liberdades individuais.
Qual é o papel de Jorginho Mello no cenário atual?
Eleito governador com 70% dos votos em 2022, Jorginho Mello (PL) é o principal articulador desse campo hoje. Ele une a experiência legislativa, tendo sido deputado e senador, com um discurso focado no incentivo ao empreendedorismo e na autonomia econômica de Santa Catarina. Mello também fortalece o Partido Liberal no estado, tornando-se uma referência central para a direita e pavimentando estratégias para as eleições futuras.
Quem são as novas vozes que sustentam o conservadorismo no legislativo?
Deputadas como Caroline de Toni, Júlia Zanatta e Ana Campagnolo representam essa geração. Caroline de Toni preside comissões importantes e foca no direito à propriedade e segurança. Júlia Zanatta utiliza as redes sociais para defender o armamento civil e a liberdade de expressão. Já Ana Campagnolo é uma voz influente na área da educação e costumes, sendo recordista de votos no estado. No Senado, Jorge Seif completa o time com foco na desburocratização e agronegócio.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.








