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Economia

Fiesc afirma que mais de 40 mil empregos deixariam de existir com fim da escala 6×1

Indústria de Santa Catarina analisa eventuais consequências para a redução na jornada de trabalho
Dos 41,4 mil empregos ameaçados em Santa Catarina pela redução da jornada, 19,1 mil seriam da indústria. (Foto: Jonatã Rocha/Governo de SC)

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Estudo da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) estima que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, vai resultar na extinção de 41,4 mil postos de trabalho no estado em dois anos. A análise foi entregue nesta semana para deputados e senadores do Fórum Parlamentar Catarinense.

De acordo com os dados apresentados, o setor industrial seria impactado por 19,1 mil dessas demissões, em função de um incremento projetado de 9,7% nos custos do trabalho. "A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não pode ser feita de maneira apressada, pois as consequências são de grande relevância", apontou o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.

A conclusão da entidade é que a perda de competitividade da indústria catarinense nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão afetar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil.

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Região oeste do estado seria a mais impactada pela mudança da escala

O estudo da Fiesc projeta uma queda de 1,07% no total das exportações catarinenses por conta da redução na jornada de trabalho. Entre os segmentos mais afetados estariam a carne de aves (-3,3%), a carne suína (-3,1%), a madeira bruta (-2,6%) e produtos derivados de madeira (-2,4%).

“São grandes empregadoras e exportam boa parte de sua produção, enfrentando concorrência pesada no exterior. Por isso, são sensíveis a preços e contam com pouco espaço para absorver aumentos de custos”, reforçou Seleme.

No âmbito macroeconômico, o órgão do setor industrial estima um recuo de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado no biênio subsequente à eventual implementação da medida. Para o PIB industrial, a retração prevista é de 1,15%.

Geograficamente, a região oeste de Santa Catarina lideraria as perdas provocadas pela redução na jornada de trabalho, com uma queda projetada de 1,39% em sua atividade econômica. Coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, o deputado Ismael dos Santos (PSD) acredita que é preciso avançar no debate de flexibilizar a jornada de trabalho, mas não da forma como está sendo conduzido o debate sobre o fim da escala 6x1 por lei.

"Vai quebrar esse país. Tenho conversado com a indústria, o comércio e terceiro setor. É impossível a implementação e neste momento é uma proposta eleitoreira", afirmou.

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Preços e mercado interno

Além da relação direta com a competitividade no exterior, o levantamento da Fiesc aponta riscos para o mercado doméstico. O economista-chefe da federação, Pablo Bittencourt, destacou que a participação de produtos importados no mercado brasileiro subiu de 13,4% em 2003 para 25% em 2023.

"Reduzir a jornada aqui sem ampliar a produtividade tende a resultar em menor produção e preços mais altos, ampliando ainda mais a perda de competitividade do produto brasileiro", analisou Bittencourt. Segundo o estudo, o custo de vida também seria afetado, com um aumento médio de preços estimado em 2,64% no estado.

Os setores com maior projeção de alta seriam construção civil (4,26%), alimentos (3,6%) e vestuário (3,57%). Além disso, há o risco de que a mudança na escala 6x1 acelere o processo de automatização no setor produtivo devido aos custos laborais. "Seria uma resposta automática da indústria", concluiu o economista-chefe da entidade.

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