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Risco climático

El Niño chega ao nível “muito forte” e amplia atenção para temporais e tornados em SC

Imagem ilustrativa de tornado em área rural, para ilustrar reportagem sobre o El Niño
El Niño muito forte tem potencial de favorecer tempestades severas, incluindo tornados, em Santa Catarina, segundo a Defesa Civil (Foto: Magnific)

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A Defesa Civil de Santa Catarina e o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia, ligado à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Ciram), passaram a tratar o El Niño como de intensidade muito forte, em uma primavera com previsão de chuva acima da média e maior frequência de temporais.

A avaliação foi divulgada no final de setembro, durante o Fórum Climático Catarinense, após os dados mais recentes indicarem uma anomalia de 2,2°C na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial. A possibilidade de tempestades severas também está no acompanhamento dos órgãos estaduais.

O gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil, Frederico de Moraes Rudorff, explicou que o aumento da umidade e da instabilidade atmosférica pode favorecer esses episódios. “Como a disponibilidade de umidade e também de instabilidades atmosféricas são ampliadas, tendemos a ter mais eventos severos, como microexplosões e tornados. Contudo, isso não significa necessariamente que teremos os eventos mais intensos”, afirmou.

A previsão mais recente aponta outubro e novembro como meses de atenção para volumes de chuva acima da média. O cenário, porém, não representa uma previsão de tornado para determinado município nem significa que a intensidade do El Niño determinará, sozinha, a gravidade dos eventos.

O que mudou na classificação do El Niño

O avanço do aquecimento do Pacífico levou os órgãos catarinenses a atualizar a avaliação do fenômeno. Segundo a meteorologista da Defesa Civil Nicolle Reis, a anomalia observada na semana anterior ao fórum climático já havia ultrapassado o patamar utilizado para a categoria muito forte.

“Para essa categoria, as anomalias da temperatura da superfície do mar precisam atingir ou superar o patamar de 2°C. Na última avaliação, esse valor chegou a 2,2°C, o que já permite considerar o fenômeno como de intensidade muito forte”, explicou, em comunicado da Defesa Civil.

A classificação adotada pela Defesa Civil e pela Epagri/Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia) considera as condições recentes do oceano e as projeções para os próximos meses. O comunicado ressalva que a consolidação da intensidade pelos índices oficiais da Noaa, a agência norte-americana responsável pelo acompanhamento do fenômeno, depende do comportamento das anomalias ao longo de períodos determinados.

Por que a primavera exige atenção

Segundo os especialistas, a primavera já é uma estação de maior ocorrência de temporais com vendavais, raios e granizo em Santa Catarina. Na avaliação divulgada pela Defesa Civil, a atuação do El Niño muito forte tende a intensificar esse padrão, com maior frequência de sistemas capazes de provocar chuva e tempestades entre outubro e dezembro.

São esperados volumes de chuva acima da média em todo o estado, especialmente em outubro e novembro. O excesso de precipitação aumenta a atenção para alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, enquanto os temporais podem provocar danos associados ao vento e ao granizo.

Rudorff explica que, durante a primavera e o outono, o transporte de umidade da Amazônia em direção a Santa Catarina se intensifica. No verão, esse fluxo tende a se deslocar mais para o Sudeste, reduzindo parte da influência sobre as chuvas catarinenses. Por essa razão, a Defesa Civil aponta a primavera de 2026 e o outono de 2027 como as duas principais janelas de monitoramento dos efeitos do episódio atual.

No Extremo-Oeste, Oeste e Meio-Oeste, outubro já apresenta volumes elevados de chuva na média histórica, entre 210 e 280 milímetros. Esses valores são uma referência climatológica, e não o acumulado previsto para este ano. O boletim da Epagri/Ciram indica chuva acima da média e potencial para tempestades severas em alguns eventos.

El Niño mais forte não significa desastre mais intenso

A classificação muito forte não permite concluir que Santa Catarina terá os maiores desastres ou tornados mais intensos. “Um El Niño muito forte tende, de fato, a aumentar a frequência das chuvas, mas a ocorrência de grandes eventos depende da combinação com outros fatores climáticos”, explicou Rudorff.

O gerente citou as enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024, sob influência de um El Niño classificado como moderado, para explicar que a gravidade dos impactos não acompanha automaticamente a intensidade do aquecimento do Pacífico.

Entre os fatores acompanhados estão a oscilação de Madden-Julian, o jato subtropical e o transporte de umidade. Rudorff ressaltou que a interação entre essas condições pode ser decisiva para a formação de episódios de chuva intensa.

“Nós fazemos esse monitoramento 24 horas aqui em Santa Catarina, mas não existe essa garantia que teremos um evento excepcional aqui no nosso estado”, declarou. A Defesa Civil orienta a população a acompanhar as previsões e os avisos meteorológicos de curto prazo, que informam as situações de risco à medida que os sistemas se aproximam.

Durante temporais com vento forte, raios ou granizo, a recomendação é procurar abrigo em uma edificação segura e permanecer afastado de árvores, postes e janelas. Para receber os alertas por SMS, basta enviar o CEP da área de interesse para o número 40199.

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