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Contra a "censura ideológica"

Janaina Paschoal ataca “Lei Rouanet municipal” de São Paulo por vedar cultura religiosa

Vereadora Janaina Paschoal critica "Lei Rouanet municipal" por vedar manifestações culturais religiosas.
Janaína Paschoal (Progressistas), vereadora na Câmara Municipal de São Paulo (Foto: Mônica Alves/Câmara de São Paulo)

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A vereadora Janaina Paschoal (PP), da Câmara Municipal de São Paulo, propôs um projeto de decreto legislativo para sustar trechos do decreto que regulamenta o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Promac), conhecido como uma “Lei Rouanet municipal”.

Para este ano, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa da capital paulista prevê orçamento de R$ 30,79 milhões para o programa. A proposta da vereadora mirava, inicialmente, em dois pontos do Decreto Municipal nº 62.159/2023: a vedação ao financiamento de projetos de cunho religioso e a destinação de recursos à periferia.

Após veto na Comissão de Constituição, Justiça e Legislativa Participativa da Câmara de Vereadores, apenas o trecho referente à destinação de recursos de cunho religioso permaneceu. “Um dos trechos é flagrantemente inconstitucional, por vedar fomento a obras de natureza religiosa. O outro é pura expressão do politicamente correto, algo compatível com um governo PSOL”, defendeu Paschoal à Gazeta do Povo.

O projeto contesta o artigo 4º, inciso IV, que proíbe o financiamento de “projetos de cunho religioso, de promoção de instituições privadas ou públicas e de temas não relacionados diretamente com atividades culturais”. Para a vereadora, o artigo opera “flagrante confusão entre os conceitos de Estado Laico e Estado Ateu”.

“Incrivelmente, um prefeito eleito com o apoio dos mais diversos grupos religiosos conseguiu baixar normativa mais materialista que a do Executivo federal, sabidamente apoiado por grupos comunistas, que possuem resistência às mais diversas religiões”, diz a vereadora no documento, referindo ao prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Após aprovação na comissão legislativa no fim do ano passado, a proposta de Janaina Paschoal chegou a entrar na ordem do dia de votação desta quarta-feira (18), mas o trâmite foi adiado a pedido do líder do governo no Legislativo municipal. Para ser aprovado, o projeto precisa de 37 votos do total de 55 dos vereadores da Casa.

Procurada pela reportagem da Gazeta do Povo, a prefeitura de São Paulo não retornou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.

Vereadora critica divisão de recursos

Outro aspecto que era questionado no projeto da vereadora refere-se ao artigo 30, que destina 35% dos recursos a projetos de proponentes sediados na periferia e outros 35% a atividades realizadas nessas regiões. Os 30% restantes não têm essa exigência.

Janaina Paschoal questionava a definição de periferia e a falta de garantia de que as pessoas sediadas nas periferias aplicarão os recursos na região. Além disso, afirmava que o acesso aos programas depende de uma estrutura que leve as pessoas para as regiões marginais.

Ela sugeria a reserva de ingressos para estudantes da rede pública e moradores da periferia, e questionava que os recursos direcionados ao centro da cidade, onde há manifestações de cultura clássica, estejam restritos a menos de um terço da verba pública.

“As atividades culturais, em sua maioria, acontecem na região central. O centro de uma grande metrópole como São Paulo tem o poder de integrar as demais regiões e se tornar um ambiente de grande efervescência artística”, argumentou a vereadora.

“O local possui diversas opções de eventos, shows, teatros e afins, podendo contribuir para o aumento significativo da ocupação dos espaços públicos no centro da capital paulista”, afirmou no documento.

Projeto tem articulação com artistas

O projeto passou pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara de Vereadores em dezembro. Na comissão, houve oposição da vereadora Silvia Ferraro, da Bancada Feminista (PSOL), que defendeu a priorização da cultura periférica.

“A vereadora Janaina tem uma visão elitista que os projetos que têm mais importância são do centro da cidade e o que queremos é valorizar a cultura periférica. Outro artigo veda templos religiosos e entidades privadas, o que eu sou contra”, criticou Silvia Ferraro. Durante a votação na comissão, o trecho que contestava a distribuição de recursos entre centro e periferia foi derrubado, restando apenas o questionamento à vedação do financiamento de projetos religiosos.

A iniciativa da vereadora Janaina Paschoal se insere em uma agenda mais ampla. Em 2025, após críticas de artistas aos critérios de seleção e à programação cultural ideológica de equipamentos como o Theatro Municipal de São Paulo, Paschoal criou a Frente Parlamentar Artistas Livres.

O grupo é presidido pelo vereador Adrilles Jorge (União) e conta com a participação do grupo Artistas Livres, liderado pelo cineasta Josias Teófilo, que critica a chamada “censura ideológica”.

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Lei paulistana prevê que parte de impostos sejam direcionados a projetos culturais

Criado em 2013, o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais foi regulamentado pelo Decreto nº 62.159 de fevereiro de 2023. O programa de incentivo cultural municipal se assemelha à Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991), que permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do seu Imposto de Renda a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

Na cidade de São Paulo, o programa permite que tanto pessoas físicas quanto empresas destinem parte do IPTU ou do ISS para financiar projetos aprovados pela Secretaria Municipal de Cultura.

De acordo com a prefeitura de São Paulo, em 2025, foram 518 contratos de incentivo, crescimento de 8% em relação a 2024, quando foram 478. O investimento foi semelhante ao do ano anterior, de R$ 30,8 milhões.

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