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Operação Helmintos

Núcleo ligado ao PCC lavou R$ 1 bi no litoral de SP e influenciava prefeitura e Câmara municipal

Prefeitura de Praia Grande
Grupo ainda tentava influenciar decisões da prefeitura e da Câmara de Praia Grande. (Foto: divulgação/prefeitura de Praia Grande)

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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (3) uma ação para desmontar um núcleo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que teria lavado cerca de R$ 1 bilhão vindos do tráfico de drogas. A investigação que levou à deflagração da Operação Helmintos descobriu ainda que o grupo tentou influenciar decisões da prefeitura e a Câmara Municipal de Praia Grande, no litoral paulista.

A operação cumpre quatro mandados de prisão temporária de suspeitos apontados como líderes e operadores financeiros do esquema e diversos de busca e apreensão em imóveis, empresas e até um setor da própria administração municipal em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba. A Justiça determinou, ainda, o bloqueio de contas bancárias e investimentos e o sequestro de 29 imóveis ligados aos investigados

“O grupo seria formado por lideranças da organização criminosa, operadores financeiros, intermediários do setor imobiliário e pessoas utilizadas como testas de ferro. A estrutura teria movimentado valores próximos de R$ 1 bilhão, principalmente por meio da aquisição de imóveis de alto padrão, empresas e estabelecimentos comerciais”, disse o governo de São Paulo em nota.

À Gazeta do Povo, a prefeitura de Praia Grande informou que não houve cumprimento de mandados em sua sede e que apenas um agente da Polícia Civil esteve no local "solicitando informações acerca de uma licitação específica para exploração de um único quiosque situado na Orla" (veja na íntegra mais abaixo). Já a Câmara Municipal ainda não respondeu à apuração.

A investigação da polícia mapeou quatro frentes principais de atuação da organização na região:

  • Lavagem de dinheiro por meio de negócios imobiliários;
  • Controle de quiosques em áreas públicas de Praia Grande;
  • Suspeita de fraude em licitação da prefeitura;
  • Financiamento e apoio a políticos eleitos no município.

“Os elementos reunidos indicam uma possível tentativa de ampliar a influência da organização criminosa sobre setores do Executivo e do Legislativo municipal”, completou. As investigações seguem sob sigilo por envolvimento de agentes públicos.

As equipes buscam documentos, contratos, registros financeiros, computadores, celulares, dinheiro em espécie e armas nos endereços alvo da operação. O material apreendido deve ajudar a Polícia Civil a aprofundar a apuração sobre organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Além da operação desta quinta-feira (3), a polícia paulista descobriu o envolvimento do PCC na administração pública em setores como terceirização de serviços, transporte coletivo e até mesmo dentro da própria Polícia Militar do estado. Em uma delas, em meados de julho, as investigações descobriram que oficiais da alta cúpula, incluindo coronéis da reserva, recebiam propina e regalias para encobertar apurações contra lideranças da facção.

A apuração apontou, ainda, que um tenente-coronel era suspeito de chefiar a segurança de empresas ligadas ao grupo e um sargento reformado foi pego com mais de R$ 1 milhão em espécie, foram detidos atuando diretamente na logística de transporte e proteção do capital do crime. Ao todo, 11 pessoas foram presas durante a operação.

O que dizem os citados

Veja abaixo, na íntegra, o que disse a prefeitura de Praia Grande sobre a operação desta manhã:

A Prefeitura de Praia Grande informa que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão nas dependências da Administração Municipal.

Um agente da Polícia Civil esteve na Prefeitura solicitando informações acerca de uma licitação específica para exploração de um único quiosque situado na Orla.

A Administração Municipal permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todas as informações necessárias.

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