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A disputa municipal ainda levará dois anos para ocorrer, mas, no maior colégio eleitoral do país, o entorno de Ricardo Nunes (MDB) já começa a mapear os nomes capazes de sucedê-lo na prefeitura de São Paulo.
Nunes está na linha de frente da pré-campanha à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e também trabalha em favor da pré-candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL). A prioridade do grupo político é a transferência dos votos que ele conquistou na capital, em 2024, para os dois aliados. Na última eleição municipal, Nunes recebeu o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio, sendo o governador paulista o principal cabo eleitoral do prefeito na disputa pela reeleição.
A engrenagem, porém, não termina com o projeto de sucessão em 2028. Eleger o chefe do Executivo paulistano é a peça que pavimenta o caminho do próprio Nunes ao Palácio dos Bandeirantes em 2030, quando ele pode ser o escolhido por Tarcísio na tentativa de fazer um sucessor no comando do estado. Por isso, embora o prefeito evite o tema publicamente, os nomes já circulam nos bastidores da gestão municipal.
Oficialmente, Nunes afirma que não trata de 2028 neste momento. "Realmente não estamos tratando de sucessão, agora é trabalhar para fazermos um bom governo e apoiar o Tarcísio na eleição, até porque é importante para a cidade manter essa parceria", diz o prefeito paulista à Gazeta do Povo.
Segundo ele, a escolha ficará para as eleições de 2028 e deve recair sobre alguém "que está trabalhando no time, que está se doando e que poderá dar continuidade ao trabalho".
Nunes busca o sucessor dentro da própria gestão
No segundo mandato, o prefeito mira a própria administração para encontrar quem mantenha a base política na capital. Entre os nomes que circulam, o secretário de Subprefeituras, Fabrício Cobra (sem partido), aparece como um dos mais cotados. Ex-tucano e próximo de Nunes, ele responde pela articulação com as 32 subprefeituras da cidade e pode se filiar ao MDB.
Também figuram na lista o vereador Sidney Cruz (MDB), que deixou a Secretaria de Habitação para retomar o mandato e se lançar pré-candidato a deputado federal nas eleições deste ano, e o secretário Pedro Fernandes (sem partido), à frente da SP Urbanismo. Os três compõem o primeiro escalão da gestão e dividem espaço com um quadro mais experiente nas urnas.
Edson Aparecido (MDB) é secretário de Governo e um dos principais articuladores da administração. Com passagem por gestões anteriores, incluindo governos de Geraldo Alckmin (PSB), ele soma a experiência eleitoral que falta aos secretários técnicos: já foi deputado federal e estadual, ainda que tenha sido derrotado na disputa ao Senado em 2022.
Articuladores apontam Edson Aparecido como favorito
Nos bastidores, o nome de Edson Aparecido desponta à frente dos demais. Um experiente articulador político ouvido pela reportagem avalia que o secretário de Governo é, neste momento, o nome mais forte do grupo. Para ele, entre os secretários técnicos, apenas Pedro Fernandes teria alguma viabilidade, enquanto os outros nomes enfrentariam resistência dentro da própria base — o chamado fogo amigo.
A esse desenho soma-se um nome ainda pouco explorado publicamente. Presidente da Prodam — empresa municipal de tecnologia —, Francisco Fortes é citado no entorno do prefeito como aposta pessoal de Nunes. Empresário do setor de tecnologia, Fortes está à frente da modernização da estatal, fator que o credencia junto à ala que valoriza perfis técnicos na sucessão.
Procurado pela reportagem, Fortes afirma que a atenção dele está voltada para a entrega de resultados na Prodam e que a próxima eleição é um "horizonte distante". "Prefiro deixar que o tempo e o cenário político amadureçam antes de qualquer definição", completa.
Mello Araújo se coloca à disposição para sucessão em 2028, mesmo por outra legenda
O vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL) foi o escolhido de Jair Bolsonaro (PL) para disputar uma vaga ao Senado em 2026. A indicação, porém, acabou substituída pela candidatura de André do Prado (PL) — articulada por Eduardo Bolsonaro (PL) sem a aprovação do pai, segundo apurou a reportagem.
Hoje, o coronel afirma não ter mais nenhum canal com o ex-presidente. "Eu não tenho contato de nenhum filho. Eu não tenho contato da Michelle", diz. Segundo ele, a relação sempre foi exclusivamente com o ex-presidente e ninguém lhe repassa orientações desde que Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar.
Apesar do distanciamento, o vice diz que pretende se colocar à disposição na sucessão de 2028 — desde que tenha o aval de Jair Bolsonaro. Caso o PL não o queira, afirma que avaliará outra legenda.
Mello Araújo rejeita a ideia de que lhe faltaria traquejo político e atribui a resistência ao seu nome a divergências de valores com parte da classe política. "Carrego valores que hoje a maioria dos políticos não tem e são valores que o povo almeja. É nítido que as pessoas estão cansadas dos atuais políticos", declara Araújo.
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Disputa expõe o cálculo do MDB para 2030
A queda de braço pela sucessão municipal é, no fundo, um capítulo do projeto estadual do grupo. A entrada do vice-governador, Felício Ramuth, no MDB neste ano — filiação costurada pelo próprio Tarcísio de Freitas — reforçou a aliança entre o Palácio dos Bandeirantes e a prefeitura paulistana e ampliou a influência de Nunes dentro do partido.
O movimento mira não apenas 2028, mas sobretudo a sucessão estadual de 2030, quando o grupo pretende emplacar Nunes no governo paulista. Nomes fora do MDB se movimentam e ameaçam o plano de manter a sucessão sob o comando do partido, como o secretário do Trabalho, Rodrigo Goulart, filiado ao PSD de Gilberto Kassab, e o empresário Filipe Sabará, aliado do senador Flávio Bolsonaro.
Por ora, todos os atores tratam o tema como especulação. O presidente do diretório estadual do MDB em São Paulo, Rodrigo Arenas, afirmou à Gazeta do Povo que ainda é "muito cedo" e que tudo se resume a especulação neste momento.
A leitura é compartilhada por interlocutores do PL paulista ligados ao núcleo da família Bolsonaro, para quem é preciso esperar o resultado das urnas em outubro de 2026 antes de desenhar o cenário de 2028.














