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A primeira-dama da cidade de São Paulo, Regina Carnovale Nunes, defendeu o fim da maioridade penal e afirmou que avalia disputar uma vaga de deputada estadual em 2026. As declarações foram dadas em entrevista à Gazeta do Povo, na sede da prefeitura paulistana.
No início do mês, ela participou da manifestação que reuniu milhares de pessoas na avenida Paulista após a morte do cão Orelha, vítima de maus-tratos, caso que gerou comoção nacional. Durante o ato, Regina Nunes discursou em defesa da redução da maioridade penal.
"Eles não são crianças, sabem muito bem o que estão fazendo. Se cometeram um crime, têm que pagar", afirmou. Na opinião dela ela, a impunidade estimula a reincidência e enfraquece a confiança no sistema de Justiça.
A primeira-dama de São Paulo também relaciona a violência à ausência familiar e a falhas na formação educacional. "A criança aprende desde cedo o que é certo ou errado, mas vejo muitos pais ausentes", disse.
Para ela, pautas ligadas à proteção animal não competem com causas humanas. "Se fosse uma criança, eu estaria lá também. Uma coisa não exclui a outra."
Regina Nunes tem a proteção aos animais como principal bandeira
A proteção animal é a pauta central da atuação da primeira-dama da cidade de São Paulo. Ela afirma acompanhar de perto políticas públicas da área e diz ter influenciado diretamente a ampliação da rede de hospitais veterinários municipais.
"Sugeri a criação de mais um hospital na zona leste, onde há muita demanda. Estamos indo para o quinto hospital veterinário e planejando o sexto, além de pelo menos um 24 horas", afirmou.
Regina Nunes defende que a castração é a política pública mais eficaz para combater o abandono de animais. "Hospital ajuda, mas o que resolve mesmo é castrar. Sem isso, o problema só cresce", disse.
"Quem tem mais de dois cães deveria ser obrigado a castrar. Não é punição, é prevenção", defendeu. Embora reconheça a importância dos abrigos, avalia que o confinamento prolongado causa sofrimento aos animais.
"Cachorro precisa de família, abrigo não é solução definitiva", afirmou. Com recursos próprios e doações, ela mantém um abrigo com cerca de 40 cães e organiza feiras de adoção.
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Perfil e papel institucional
Casada há 28 anos com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), Regina Carnovale Nunes cresceu na periferia da capital paulista e atuou no setor privado antes de assumir o papel público de primeira-dama. A rotina mudou com a posse do marido na prefeitura de São Paulo, após a morte do então prefeito Bruno Covas (PSDB), vítima de câncer.
Em outubro de 2024, Nunes foi reeleito para um novo mandato. "Ser primeira-dama é um cargo com muita responsabilidade na área social. Não tenho salário, sou voluntária, e tenho agendas todos os dias, inclusive aos fins de semana", contou.
Segundo ela, a função exige dedicação integral e capacidade de filtrar as pessoas. "Muita gente se aproxima por interesse, você aprende a observar quem realmente quer ajudar", afirma.
Primeira-dama da maior cidade do país, ela não se encaixa no estereótipo de figura restrita ao cerimonial. Gosta de festas, de se arrumar e de circular no meio político e social, sem abrir mão de posições firmes em temas que considera centrais.
Cristã, afirma transitar entre a igreja evangélica, na qual foi criada, e a católica, acompanhando o marido. Diz manter diálogo com lideranças religiosas e vê com bons olhos a valorização do cristianismo em eventos públicos promovidos pela prefeitura, como o Natal Iluminado e os shows religiosos realizados no fim do ano, na avenida Paulista.
Primeira-dama de São Paulo estuda entrar para política e fala sobre feminismo
Questionada sobre uma possível candidatura à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a primeira-dama da capital paulista diz que a decisão ainda está em amadurecimento. Filiada ao MDB, afirma contar com o apoio do partido e do marido.
"Tenho vontade de ajudar mais, especialmente nas causas animal e da pessoa com deficiência, mas é uma decisão séria, porque impacta a família e aumenta ainda mais a exposição", disse.
"Quero ajudar e tocar cada vez mais projetos, mas preciso refletir com cuidado, porque a convivência já é difícil. Quase não vejo o Ricardo e ele quase não me vê. As demandas são muitas e, se eu for pré-candidata, as agendas tendem a aumentar", afirmou.
Apesar de defender maior participação feminina na política, faz críticas a excessos do feminismo contemporâneo. "A mulher precisa de independência financeira e ter a vida dela, mas sem competir com o homem. Casamento é parceria", disse.
"Tem mulher que não deixa o homem pagar nem uma água, aí já acho que passa um pouco do que é esperado", complementou. Caso decida entrar para a política, afirma que pretende manter como bandeiras as pautas que defende como primeira-dama, sem adotar um discurso ideológico.
Embora a pré-candidatura ainda não esteja definida, Regina Carnovale Nunes já atua como uma figura política em construção, com posições públicas claras e disposição para disputar espaço em um ambiente que, segundo ela, ainda tem poucas mulheres.
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