
Ao ouvir a palavra anemia, é comum pensar na doença como uma exclusividade das crianças. Isso porque é nos primeiros anos de vida que o consumo de ferro substância que em falta é a principal causa da doença, responsável por 70% dos casos exerce maior importância no organismo. Porém, estudos recentes mostram o contrário. A anemia deve ser encarada como preocupação de gente grande.
Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, um levantamento financiado com recursos do Ministério da Saúde, apesar de a anemia atingir 20% das crianças entre zero e 5 anos, é nos adultos que ela é mais recorrente no Brasil. Os dados, anunciados em abril deste ano, apontam que quase 29,9% das mulheres em idade fértil têm algum grau da doença quase três em cada dez brasileiras.
O estudo não aponta o número de mulheres adultas fora do período fértil, nem de homens com a doença. Porém, especialistas temem que para essas pessoas a incidência também possa ser alta. "É uma doença que vem se tornando comum devido a suas causas serem cada vez mais corriqueiras, como cirurgias em que há grande perda de sangue, dietas de perda de peso e má-alimentação. Tudo isso ocasiona déficit de nutrição e falta de ferro no organismo", explica o médico hematologista Claudiney Cruz, do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba.
Nas mulheres em idade fértil, outro fator se junta à má-alimentação: a menstruação. Segundo o hematologista, a perda de sangue mensal pode ser mais severa para algumas fato que explica os altos índices de anemia neste grupo. "Essa perda de sangue eventualmente diminui o nível de ferro no organismo. Dependendo da qualidade da alimentação, é muito difícil repor essas substâncias", diz.
Apesar de a anemia não levar à morte com exceção de casos mais graves e raros, geralmente de caráter genético, e de quando é sintoma de outra complicação , a doença diminui a qualidade de vida dos pacientes. Isso pelos seus sintomas. Em geral, anêmicos sentem fraqueza, desânimo, sonolência, pressão baixa e taquicardia em excesso, explica Patrick Wachholz, especialista em clínica médica e geriatria da Paraná Clínicas.
A cura é possível, garantem os especialistas. "A identificação do motivo da anemia é a parte mais importante. Se for pela alimentação, corrige-se isso. Se for por outro motivo, algum fator que atrapalha a absorção do ferro, o ideal é procurar uma solução", diz o hematologista Claudiney Cruz. Em geral, o tratamento é medicamentoso, à base de um composto chamado sulfato ferroso rico em ferro.
Para quem não tem uma alimentação regular, não passou por cirurgias em um período recente e, principalmente, já passou dos 40 anos, os médicos aconselham: é bom ficar alerta. É que a anemia, em muitos casos, pode ser sintoma de doenças mais graves, como complicações intestinais, úlceras e até mesmo neoplasias (principalmente câncer intestinal e leucemia). "Para quem se encaixa neste perfil, o melhor é investigar, indo além do exame de sangue", diz Cruz.



