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Nutrição

Anemia, doença de gente grande

Antigamente tratada como um problema recorrente em crianças, a anemia atinge três em cada dez brasileiras em idade fértil

Rosane Camargo fez redução de estômago e começou a ter problemas de anemia | Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo
Rosane Camargo fez redução de estômago e começou a ter problemas de anemia (Foto: Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo)

Ao ouvir a palavra anemia, é comum pensar na doença como uma exclusividade das crianças. Isso porque é nos primeiros anos de vida que o consumo de ferro – substância que em falta é a principal causa da doença, responsável por 70% dos casos – exerce maior importância no organismo. Porém, estudos recentes mostram o contrário. A anemia deve ser encarada como preocupação de gente grande.

Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, um levantamento financiado com recursos do Ministério da Saúde, apesar de a anemia atingir 20% das crianças entre zero e 5 anos, é nos adultos que ela é mais recorrente no Brasil. Os dados, anunciados em abril deste ano, apontam que quase 29,9% das mulheres em idade fértil têm algum grau da doença – quase três em cada dez brasileiras.

O estudo não aponta o número de mulheres adultas fora do período fértil, nem de homens com a doença. Porém, especialistas temem que para essas pessoas a incidência também possa ser alta. "É uma doença que vem se tornando comum devido a suas causas serem cada vez mais corriqueiras, como cirurgias em que há grande perda de sangue, dietas de perda de peso e má-alimentação. Tudo isso ocasiona déficit de nutrição e falta de ferro no organismo", explica o médico hematologista Claudiney Cruz, do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba.

Nas mulheres em idade fértil, outro fator se junta à má-alimentação: a menstruação. Segundo o hematologista, a perda de sangue mensal pode ser mais severa para algumas – fato que explica os altos índices de anemia neste grupo. "Essa perda de sangue eventualmente diminui o nível de ferro no organismo. Dependendo da qualidade da alimentação, é muito difícil repor essas substâncias", diz.

Apesar de a anemia não levar à morte – com exceção de casos mais graves e raros, geralmente de caráter genético, e de quando é sintoma de outra complicação –, a doença diminui a qualidade de vida dos pacientes. Isso pelos seus sintomas. Em geral, anêmicos sentem fraqueza, desânimo, sonolência, pressão baixa e taquicardia em excesso, explica Patrick Wachholz, especialista em clínica médica e geriatria da Paraná Clínicas.

A cura é possível, garantem os especialistas. "A identificação do motivo da anemia é a parte mais importante. Se for pela alimentação, corrige-se isso. Se for por outro motivo, algum fator que atrapalha a absorção do ferro, o ideal é procurar uma solução", diz o hematologista Claudiney Cruz. Em geral, o tratamento é medicamentoso, à base de um composto chamado sulfato ferroso – rico em ferro.

Para quem não tem uma alimentação regular, não passou por cirurgias em um período recente e, principalmente, já passou dos 40 anos, os médicos aconselham: é bom ficar alerta. É que a anemia, em muitos casos, pode ser sintoma de doenças mais graves, como complicações intestinais, úlceras e até mesmo neoplasias (principalmente câncer intestinal e leucemia). "Para quem se encaixa neste perfil, o melhor é investigar, indo além do exame de sangue", diz Cruz.

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