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Bebês com cardápio em transição

A partir dos seis meses de vida eles precisam de alimentos complementares ao leite materno para suprir suas necessidades nutricionais

Vera Helena Zoli, mãe de Felipe, de quatro meses e meio | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Vera Helena Zoli, mãe de Felipe, de quatro meses e meio (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo)
Veja quais são os alimentos complementares e quando o bebê deve comê-los |

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Veja quais são os alimentos complementares e quando o bebê deve comê-los

Nos primeiros seis meses de vida, os bebês devem receber exclusivamente leite materno. Depois disso, ele deixa de suprir todas as necessidades nutricionais e é preciso incluir lenta e gradualmente outros alimentos em sua dieta. Esses novos alimentos não devem substituir o leite, mas complementá-lo, pois o ideal é que a amamentação seja mantida até os dois anos ou mais.

A partir dos seis meses o bebê passa a ter habilidade física e motora para comer alimentos, como sentar e sustentar a cabeça; além de capacidade para digeri-los e absorver seus nutrientes adequadamente, como afirma a pediatra coordenadora do departamento de Suporte Nutricional da Socie­dade Paranaense de Pediatria, Vanessa Liberalesso.

Ela recomenda que as primeiras papinhas sejam de frutas – mais aceitas pelos bebês. "A preferência pelo sabor doce é inata, assim como a rejeição aos sabores azedo e amargo, e a indiferença ao sabor salgado". A pediatra Silmara Possas, chefe da UTI neonatal do Hospital Pequeno Príncipe, diz que, além de mais agradável ao paladar, a frutose (açúcar das frutas) é totalmente digerível. Ela recomenda que as mães comecem com papinhas à base de frutas, legumes ou tubérculos de cores claras – como pêra, banana, maçã, chuchu e abobrinha. "Esses alimentos oferecem menos risco de alergia nesta fase em que o sistema imunológico está imaturo."

Liberalesso explica que a primeira papinha de sabor salgado deve ser dada entre o sexto e o sétimo mês, na consistência de papa amassada, contendo cereais, tubérculos, carnes, leguminosas e hortaliças. "É importante não retirar a carne ao amassar a papa. Após montar o pratinho, é indicado regá-lo com um pouco de óleo vegetal não aquecido (de canola ou girassol, por exemplo) conforme orientação médica. Ao preparar os alimentos, utilize o mínimo de sal", recomenda.

Exemplo e paciência

A fase de transição alimentar é um momento de aprendizado para o bebê, com reflexos a curto e longo prazo. "Se a alimentação for inadequada nessa fase, será mais difícil mudar os hábitos depois", diz Liberalesso. Segundo ela, os pais ou cuidadores constróem o hábito alimentar das crianças, que aprendem pelo exemplo e por imitação."

Também é preciso respeitar o período de adaptação aos novos alimentos. "Até os dois anos a criança aprende os sabores. Quando faz cara feia ou cospe a papinha é porque ainda não está acostumada à deglutição", ressalta. Uma dica da pediatra é oferecer um alimento de oito a dez vezes. "Assim, ela se acostuma com novos sabores e texturas". Mas a insistência deve ser positiva, sem forçar. "Respeite a quantidade desejada pela criança e torne a refeição um momento tranquilo, de prazer e bem-estar."

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Restrições

Veja as restrições alimentares para bebês e outras indicações segundo a pediatra coordenadora do departamento de Suporte Nutricional da Sociedade Paranaense de Pediatria, Vanessa Liberalesso, e a pediatra Silmara Possas, chefe da UTI neonatal do Hospital Pequeno Príncipe:

Alimentos artificiais

A indicação é evitá-los até os dois anos de idade, pois podem conter alto teor de sódio, corantes e gorduras de qualidade inadequada. O grande risco deste tipo de alimento nos primeiros anos de vida são as alergias, já que o sistema imunológico dos bebês ainda está em formação. Alimentos como refrigerantes, sucos artificiais ou que contenham corantes não são indicados para crianças até dois anos. Leite de vaca

Deve ser evitado até os 2 anos de vida e é contraindicado para crianças até 1 ano. O maior motivo de anemia nos dois primeiros anos de vida é a deficiência de ferro causada principalmente pelo uso inadequado do leite de vaca.

Ferro

A deficiência desse mineral na infância provoca perda de força muscular, prejuízo na memória e alterações emocionais. Por isso é importante consumir alimentos ricos em ferro, como carnes e vísceras. Alguns alimentos dificultam a absorção do ferro, entre eles os refrigerantes, chás e alimentos que contêm cálcio, como leite e derivados. Tais alimentos não devem ser ingeridos perto do almoço e jantar. Já as frutas cítricas com alto teor de ácido ascórbico (como laranja, limão, acerola, morango, kiwi e goiaba) melhoram o aproveitamento do ferro pelo organismo.

Mel

Não é indicado para bebês abaixo de um ano de idade pelo risco de botulismo.

Mais informações: Guia alimentar para crianças menores de 2 anos. Ministério da Saúde, 2002. http://nutricao.saude.gov.br/documentos/guiao.pdf

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