
Cansaço, falta de ar e dificuldade para realizar as atividades do dia-a-dia foram os primeiros sintomas de Liliane Aparecida Ambrózio, 34 anos, portadora de hipertensão arterial pulmonar (HAP). A doença, pouco conhecida, tem os sintomas confundidos com os de patologias do pulmão e do coração, como o enfisema pulmonar, a asma e a bronquite, que limitam a capacidade respiratória.
"Os sintomas da HAP não são específicos. Se o paciente diz que sente cansaço e falta de ar ao realizar grandes esforços, a primeira coisa que os médicos costumam pensar é em sedentarismo. E esta deveria ser a última suposição", diz Rogério de Souza, médico pneumologista do Instituto do Coração (Incor).
O alerta do pneumologista é pela importância do diagnóstico precoce, determinante na sobrevida do paciente e também no sucesso do tratamento. A HPA pode surgir sem uma causa específica ou então se desenvolver a partir de uma patologia de base. "Há doenças na artéria pulmonar e outras como a aids, reumatismos, doenças do coração, pulmão e fígado, que afetam essas artérias, dificultando a passagem de sangue", explica João Adriano de Barros, médico pneumologista do Hospital das Clínicas de Curitiba (HC/UFPR).
Com uma menor oxigenação, a função pulmonar é prejudicada. O quadro não é reversível. Os medicamentos liberados no Brasil a partir de 2005 , fazem apenas com que a doença estacione e que os sintomas diminuam. Estima-se que de 800 a 1.000 pessoas tenham HPA sem causa específicano Paraná. Os números podem ser muito maiores porque nem todos os casos são notificados.
Com o objetivo de divulgar a doença tanto para os médicos quanto para a população em geral, as sociedades brasileiras de Cardiologia, Pneumologia e Tisiologia e de Reumatologia lançaram, no dia 14 de abril, a Campanha Nacional de Conscientização à HAP. "A doença deve ser tratada de maneira interdisciplinar. Com a campanha, esperamos que os médicos passem a pensar em hipertensão arterial e os pacientes procurem orientação o mais rápido possível", completa Souza.
Custos altos
Quando começou a sentir falta de ar, Liliane procurou um cardiologista, que diagnosticou um inchaço no coração. Foram dois anos de tratamento sem sucesso até que fosse descoberta a hipertensão pulmonar. Esse é normalmente o tempo entre o início da doença e o diagnóstico. "Isso foi em em 2007. Na época tinha muita falta de ar, não conseguia nem tomar banho direito. Qualquer coisa que eu fizesse ficava cansada", conta.
Com o tratamento, Liliane recuperou boa parte da capacidade pulmonar. Apesar de ser um grande avanço, ela sofre por depender de medicamentos caros. "Tomo três cápsulas por dia. Gasto cerca de
R$ 500 por mês, mas isso porque compro a fórmula manipulada, que nem sempre faz o mesmo efeito. Se fosse comprar o remédio pronto gastaria R$ 3 mil."
No Paraná, os medicamentos nem sempre são oferecidos pelo governo estadual. Os casos são analisados por um comitê. Em alguns estados, como em São Paulo, o direito aos medicamentos é garantido por lei.



