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Estudo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, umas das principais universidades dos EUA) mostra que dietas ricas em gordura fazem células do fígado retornarem a versões imaturas. Esta mudança ajuda as células a sobreviver ao estresse, mas aumenta muito o risco de câncer. A pesquisa foi publicada no dia 22 de dezembro no periódico Cell, um dos mais respeitados no meio científico.
O que acontece com o fígado quando comemos muita gordura?
As células principais do fígado, chamadas hepatócitos, voltam a um estado imaturo parecido com células-tronco. É como se ficassem "jovens" de novo.
Essa mudança é uma forma de sobreviver ao ambiente tóxico criado pelo excesso de gordura. Mas as células perdem suas funções normais e ficam vulneráveis a tumores.
Por que essas células podem desenvolver câncer mais facilmente?
No estado imaturo, as células ativam genes que impedem sua morte natural e favorecem a multiplicação. Elas perdem os controles que limitam o crescimento descontrolado.
Se uma mutação genética ocorrer depois, essas células já têm meio caminho andado para desenvolver câncer. Nos testes, quase todos os ratos com dieta gordurosa desenvolveram a doença.
O mesmo acontece com pessoas?
Sim. Os cientistas examinaram tecido de pacientes humanos e acharam os mesmos padrões dos animais. Pessoas com doenças de gordura no fígado tinham as mesmas alterações: perda de funções vitais e aumento de genes do estado imaturo.
A diferença é o tempo. Nos ratos o câncer surgiu em um ano. Nas pessoas esse processo leva cerca de 20 anos.
O que são fatores de transcrição e por que importam?
São proteínas que funcionam como interruptores de genes dentro da célula. O estudo achou uma chamada SOX4, que só deveria funcionar no feto. Com dieta gordurosa, a SOX4 é religada e comanda a volta ao estado de risco.
Descobrir esses "interruptores" ajuda a criar remédios para desligá-los e prevenir o câncer.
Dá para reverter o problema?
Os pesquisadores vão estudar se voltar a comer de forma saudável ou usar remédios para emagrecer pode desfazer as mudanças. Já existe um medicamento aprovado para casos graves de gordura no fígado.
Outro, que protege uma enzima chamada HMGCS2, está em testes. O objetivo é evitar que o tecido doente vire câncer no futuro.
Conteúdo editado por: Jones Rossi









