Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Saúde do bebê

Hospitais privados atrasam a primeira amamentação

Estudo mostra que só 3% dos bebês que nasceram de cesariana em maternidades particulares mamam na primeira hora de vida; na rede pública, índice é de 40%

 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
(Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

Embora sejam comprovados os benefícios da amamentação na primeira hora de vida, as maternidades ainda demoram para colocar o bebê em contato com a mãe após o nascimento. A conclusão é de um estudo feito no fim do ano passado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz em 47 hospitais públicos e privados do Rio de Janeiro. Durante um ano e meio, os pesquisadores acompanharam 8.397 nascimentos. Os resultados mostraram que as mães que tiveram bebês em maternidades particulares e por cesarianas são as que mais demoram para amamentar pela primeira vez. Enquanto que na rede pública, 40% dos bebês são amamentados na primeira hora de vida, na rede privada esse índice é de apenas 3%. Da mesma forma, enquanto as mães que tiveram parto normal levam em média quatro horas para alimentar o bebê pela primeira vez, as que fizeram cesariana chegam a demorar aproximadamente dez horas.

De acordo com o diretor da Escola Nacional de Saúde Pública e autor da pesquisa, Cristiano Boccolini, entre os fatores responsáveis pelo atraso na primeira mamada estão a internação dos recém-nascidos em berçários ou UTIs e a falta de um acompanhante na sala de parto. Segundo ele, os altos índices de cesarianas nas maternidades particulares também contribui com o atraso. "É preciso diminuir as taxas de cesáreas, que nos hospitais privados chegam a 96%, quando não deveriam passar de 30%", comenta. Segundo ele, na rede privada há ainda uma tendência de deixar o bebê em observação após o nascimento, levando-o para a mãe somente muito tempo depois. "Na rede privada, além de haver mais cesarianas, mais bebês são colocados na UTI neonatal. Isso nem sempre é necessário, suspeita-se de que o pagamento dos convênios seja um dos motivos para as internações", diz.

Para a presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, Graciete Vieira, é importante que a mãe conte com a ajuda de um acompanhante ou de alguém da equipe médica para que ela consiga amamentar. "Na primeira hora, ela ainda está um pouco debilitada, por isso esse auxílio é fundamental", afirma.

Para tentar diminuir o intervalo de tempo entre o nascimento e a primeira mamada, os especialistas consideram importante reduzir as internações desnecessárias, privilegiando o alojamento conjunto, e, sempre que possível, levar o recém-nascido ao seio da mãe ainda na sala de parto.

Benefícios

A amamentação na primeira hora de vida traz uma série de benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. O contato entre os dois fortalece o sistema imunológico do recém-nascido e tem um papel importante no estabelecimento de laços afetivos entre mãe e filho. Estudos já comprovaram que, quanto mais se prorroga a primeira amamentação, maiores os riscos de mortalidade neonatal. "O colostro funciona como uma primeira vacina para o bebê. É com esse leite e com o contato com a pele da mãe que ele adquire imunidade", explica a pedriatra e coordenadora do programa de aleitamento materno da Secretaria Municipal de Saúde, Claudete Closs.

"Quando nasce o bebê ainda está muito vulnerável. Ele estava acostumado com a proteção, o calor do útero materno e por isso o contato com a mãe nesses primeiros momentos de vida são tão importantes para um desenvolvimento saudável", diz Graciete.

A proximidade com a mãe também ajuda a acalmar o bebê. Ao ser colocado no colo, ele fica mais calmo e com a respiração mais regular por estar ouvindo os mesmos batimentos cardíacos que ouvia enquanto estava no útero.

Além de fazer bem ao recém-nascido, o aleitamento também traz benefícios para a mãe. Diminui o risco de hemorragia, evitando os casos de anemia, e auxilia no processo de expulsão da placenta por causa dos hormônios liberados no organismo. Amamentar também aumenta as contrações uterinas, fazendo com que o útero volte mais rapidamente ao tamanho original.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.