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Para entender

Inteligência artificial utiliza a voz para medir o envelhecimento do corpo

A forma de falar pode carregar sinais relacionados ao envelhecimento do cérebro, da cognição e de outros sistemas do organismo, segundo novo estudo. (Foto: Pexels)

Pesquisadores desenvolveram um modelo de inteligência artificial chamado relógio da fala para monitorar o envelhecimento. O estudo, realizado com quase 3 mil pessoas da América Latina e publicado na revista Science Advances em 30 de setembro, revela que características acústicas e linguísticas da voz podem indicar a idade biológica e a saúde do cérebro de forma simples e não invasiva.

Como funciona o sistema que identifica a idade através da fala?

O sistema utiliza aprendizado de máquina para analisar centenas de detalhes na forma como uma pessoa se comunica. Ele não avalia apenas o som das cordas vocais, mas observa a velocidade da fala, a duração das pausas, o tom, a variação emocional e até a riqueza do vocabulário utilizado. A partir dessas informações, a ferramenta cria uma estimativa chamada idade da fala. Quando essa idade estimada é maior que o tempo real de vida da pessoa, os cientistas percebem que o organismo pode estar envelhecendo mais rápido do que o esperado, refletindo sinais de desgaste biológico.

Qual é a diferença entre a idade cronológica e a idade biológica?

A idade cronológica é apenas o número de anos que se passaram desde que você nasceu, aquele que consta no seu documento. Já a idade biológica e a cerebral mostram como o seu corpo e o seu cérebro realmente estão por dentro. Uma pessoa pode ter 60 anos, mas possuir um corpo com vigor de 40 ou um cérebro com sinais de desgaste de 80. O estudo mostrou que quem apresenta uma voz considerada mais envelhecida costuma ter também uma idade cerebral avançada, apresentando pior desempenho em testes de memória, funções executivas e capacidades que não dependem da linguagem.

O resultado do relógio da fala serve como um diagnóstico médico?

Ainda não. Os próprios cientistas alertam que a ferramenta é um biomarcador, ou seja, um sinalizador de saúde, e não um exame definitivo. Uma voz que soa mais velha não significa necessariamente que a pessoa tem Alzheimer ou outra demência. Muitos fatores podem mudar a fala, como o uso de remédios, problemas auditivos, alterações respiratórias e até o estado emocional no momento da gravação. O estudo é um passo importante para identificar riscos, mas para se tornar um diagnóstico, seria necessário acompanhar os mesmos voluntários por muitos anos para ver quem realmente adoece.

Por que essa descoberta é importante para países como o Brasil?

A grande vantagem da análise da voz é a sua simplicidade e baixo custo. Atualmente, para verificar o envelhecimento do cérebro, são necessários exames caros e complexos, como ressonâncias magnéticas ou análises de sangue sofisticadas. A fala pode ser gravada pelo celular e analisada automaticamente à distância. Isso facilita o monitoramento da saúde em regiões com pouco acesso a hospitais tecnológicos. Além disso, o estudo focou em populações latinas, ajudando a criar referências científicas que respeitam a diversidade e as condições sociais de quem vive nesta parte do mundo.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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