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Memória

Ler é o melhor exercício

Segundo especialistas, o hábito de leitura exercita as funções cerebrais e é uma ótima solução para manter a mente saudável

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O melhor exercício para a mente é a leitura. Quando os olhos passam pelas letras, uma série de atividades cerebrais é ativada. O pensamento e a mente são acionados, exercitando todas as funções do cérebro. A memória visual, auditiva, de leitura, dos sentimentos e todas as demais entram em ação quando a primeira frase é lida.

De acordo com um dos maiores especialistas em memória no Brasil, Ivan Izquierdo, ter o hábito de leitura é a melhor solução para se manter a mente e a memória saudáveis. Doutor em medicina, Izquierdo é um dos maiores pesquisadores do mundo na área de fisiologia da memória e coordena o Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

"No momento em que lemos uma palavra que começa com A, o cérebro faz um mapeamento de tudo o que começa com A. Se em seguida vem a letra M, ele faz uma segunda seleção, e assim por diante". Neste processo o cérebro seleciona os significados das palavras para a leitura, relaciona os sistemas, como o idioma, e busca na memória tudo o que está relacionado às palavras, como imagens, sons e sentimentos.

"A memória é uma das funções cerebrais mais importantes e uma das que ficam mais lentas com a idade. Pensamos por conta do que recordamos", diz. Quan­­to mais a pessoa lê, menos prejuízo a memória tem com o tempo. Segundo o pesquisador, isso já está mais do que comprovado. "Nas profissões que exigem leitura, como a de professor e de ator, nota-se menor perda de memória e o desenvolvimento de doenças como o alzheimer é bem mais lento e suportável para o portador."

Mente seletiva

Situações como esquecer a chave mais de uma vez por dia, não lembrar se fechou a janela ou onde estacionou o carro não são motivos para preocupações. Segundo Izquierdo, ao se chegar aos 40 anos a memória começa a perdurar menos. "Vemos um filme, lembramos o nome do ator, mas daqui a três dias esquecemos. Isso acontece com o trivial, a memória menos importante persiste por menos tempo para dar lugar às coisas mais importantes."

Para quem não chegou aos 40, esses típicos esquecimentos são consequência do estresse e da agitação da rotina. De acordo com a psicóloga e especialista em programação neurolinguística Carla Correia, com a quantidade de coisas que as pessoas têm a fazer no mesmo dia, a memória automatiza alguns comandos. "Nossa mente foca no que é prioritário. Des­­ligar o computador ou fechar a porta fica registrado no inconsciente por ser automático para o cérebro, por isso esquecemos, mas não significa que não temos memória", explica.

Ginástica cerebral

Carla Correia ministra o curso Fitness Mental, em São Paulo, e ensina como exercitar as partes do cérebro que costumam entrar no modo automático. "Assim como um músculo precisa de exercício para não ficar flácido, se não exercitamos a mente, as sinapses – comunicação entre os neurônios – ficam enfraquecidas, perdemos a criatividade e esquecemos mais facilmente". Esta "ginástica" otimiza a multiplicação celular dos neurônios e pode aumentar a eficiência e agilidade da mente.

A capacidade do cérebro de armazenar informações é muito grande, mas alternar as memórias é muito importante, de acordo com o neurologista e responsável pelas disciplinas de memória da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Arthur Oscar Schelp. "Se lembrássemos a todo o momento de tudo não conseguiríamos ter uma vida normal. A memória está sempre se reciclando, preservando um pedacinho da antiga. Quando forçamos para nos lembrar de algo, resgatamos esse pedaço e o reconstruí­­mos." Segundo ele, é importante procurar um neurologista quando os brancos começam a prejudicar a execução de atividades rotineiras (como dirigir, cozinhar, ir ao banco) ou quando há grande disparidade sobre a época de ocorrência de um fato, por exemplo, quando não se sabe se algo ocorreu ontem ou há dez anos.

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