
Batimento cardíaco acelerado, suor excessivo, noites mal dormidas e aquela sensação de que existe algo dentro do peito prestes a explodir a qualquer momento. Esses são alguns dos sintomas comuns da ansiedade, sentimento natural e necessário à vida. Mas cuidado. Se você sente isso com frequência, mesmo sem motivo aparente, pode sofrer de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), uma doença que precisa de tratamento médico.
Segundo o psiquiatra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Henrique Rodrigues, o TAG acontece quando aquilo que deveria ser uma preocupação normal e não durar mais que um dia, passa a incomodar por muito tempo e a manifestar problemas físicos. "Se a pessoa percebe que esse comportamento se repete por mais de seis meses é sinal de que pode estar sofrendo de ansiedade generalizada. Se alguém vai a uma festa ou a uma entrevista de emprego e passa mais de uma semana preocupada com isso, sem dormir direito, sentindo cansaço, tonturas e até tremores é sinal de que a ansiedade passou a ser patológica", explica o médico.
É muito comum que as pessoas não saibam distinguir o limite entre o que é normal e o que é doença. Os médicos explicam que o principal fator a ser observado é a preocupação excessiva com tarefas do cotidiano. "Isso passa a afetar outras atividades da pessoa e pode causar doenças, como hipertensão e problemas gastrointestinais. Ela perde a concentração e diminui sua capacidade de organização", diz o supervisor do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, Luiz Vicente Figueira de Melo.
De acordo com Rodrigues, cerca de 25% das pessoas vão sofrer de TAG em algum momento da vida, mas é comum que elas não procurem tratamento, que é feito com medicamento e terapia. Atividades como ioga ou outros exercícios físicos funcionam para amenizar a ansiedade normal, mas não a generalizada. Melo explica que o tempo de terapia deve durar em média seis meses. "Mais do que isso o paciente se acostuma e passa a burlar, inconscientemente, as formas de adequação à ansiedade", explica Melo.
Apoio
O gaúcho Paulo nome fictício , 50 anos, descobriu há um ano que sofria da doença. Ele sentia uma ansiedade sem motivo, acordava sempre no meio da noite e passou a sentir insegurança em atividades corriqueiras. "Fui me afastando das pessoas por causa disso. Quando vi que estava difícil continuar vivendo assim, procurei auxílio", conta. Além de terapia, há um mês ele entrou para um grupo de ajuda da Associação dos Portadores do Transtorno de Ansiedade (Aporta) de Porto Alegre, cidade onde mora. Uma vez por semana ele se reúne com outras pessoas que também sofrem com a ansiedade para trocar experiências e ajuda mútua. "Faz pouco tempo que comecei, mas sinto que está me ajudando bastante."
Os psiquiatras explicam que a doença é em grande parte genética, que a pessoa pode desenvolver apenas por herança familiar, sem necessariamente viver em um ambiente que provoca ansiedade. Se não for tratada, pode evoluir para distúrbios mais graves, como síndrome do pânico e outras fobias sociais. Todas elas são estados mais avançados de ansiedade que o TAG e requerem tratamento mais intenso. O coordenador do curso de Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Raphael Di Láscio, diz que a alta competitividade e cobrança do mercado de trabalho, falta de tempo e medo da violência também levam o indivíduo à ansiedade e a outros transtornos. "Vivemos em uma sociedade ansiosa. Quando a pessoa não consegue se controlar, sente desespero", afirma.



