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Saúde

Universidade diz que Tamiflu não deve ser dado a crianças

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, indica que crianças de até 12 anos não devem ser tratadas com os antigripais Tamiflu e Relenza, usados no combate à gripe A. Segundo o médico Matthew Thompson, um dos autores do estudo, os efeitos colaterais causados pelo tratamento em crianças – entre eles vômitos, diarreia e insônia – podem ser maiores que os seus benefícios, já que o remédio não evita a inflamação das vias aéreas, não diminui a probabilidade do uso de antibióticos e reduz a duração da gripe em apenas 1 dia e meio.

Ainda de acordo com Thomp­son, testes demonstraram que os antigripais reduzem em apenas 8% as transmissões entre crianças.

O estudo foi baseado em uma análise de sete estudos clínicos que avaliaram o uso de Tamiflu e Relenza por crianças de 1 a 12 anos que tiveram surtos de influenza sazonal. Para os autores, as conclusões do relatório são aplicáveis também à nova gripe.

A pesquisa foi divulgada mais de uma semana depois do anúncio de um outro estudo que mostrou que mais da metade dos 248 alunos de uma escola no sudoeste da Inglaterra, com 11 e 12 anos de idade, tiveram náusea, dor de cabeça e até pesadelos depois de tomar o medicamento. As crianças não apresentavam sintomas da doença, mas começaram o tratamento como prevenção, depois que alguns colegas foram diagnosticados com a gripe A.

Normalmente, o Tamiflu (fabricado pela farmacêutica Roche) é recomendado para o tratamento de crianças a partir de 1 ano de idade. Mas, por se tratar de uma pandemia, a Food and Drug Administration (FDA), principal órgão de vigilância dos Estados Unidos, liberou o seu uso em menores de 1 ano de idade. O Relenza (do laboratório GlaxoSmithKline) não é comercializado no Brasil.

Repercussão

De acordo com a infectopediatra Cristina Rodrigues da Cruz, integrante do Comitê de Infectologia da Sociedade Paranaense de Pediatria, a resposta do tratamento com Tamiflu entre os pacientes que atende no Hospital de Clí­nicas da UFPR tem sido boa. "Os efeitos colaterais existem sim, mas não houve nada que me fizesse suspender o tratamento. É um remédio eficiente, mas deve ser usado com cautela e com supervisão mé­­dica", lembra.

No Hospital Pequeno Prín­cipe, todos os 47 pacientes in­­ternados infectados ou com suspeita da doença receberam o antiviral e não apresentaram nenhum efeito colateral significativo. "Mas é possível que o medicamento tenha um efeito diferente em um organismo não infectado pela influenza, seja ela sazonal ou A. Na In­­glaterra, houve uso abusivo do medicamento em crianças que não apresentavam nenhum sintoma", lembra a pediatra Heloísa Giamberardino, coordenadora do Serviço de Epi­demiologia da instituição.

A médica Marli Perozin, da Unidade de Farmaco-vigilância da Secretaria de Estado da Saúde, explica que o Tamiflu apresenta vários efeitos adversos, assim como outros medicamentos, mas que no caso de uma pandemia a prioridade é salvar vidas. "O Tamiflu pode causar, entre outros problemas, arritmia cardíaca, anemia e crises convulsivas, não só em crianças, mas também em adultos", alerta. "A situação, entretanto, é emergencial. Se alguém está morrendo por causa da gripe, temos de usar o medicamento, mesmo que exista um risco implícito de desenvolver algum problema", completa.

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