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Ucrânia

Democracia pode esperar? Zelensky rejeita novamente eleições durante a guerra

Volodymyr Zelensky : “Se quisermos destruir o país, então podemos avançar na direção das eleições durante estes tempos de guerra”
Volodymyr Zelensky : “Se quisermos destruir o país, então podemos avançar na direção das eleições durante estes tempos de guerra” (Foto: EFE/EPA/Andrej Cukic)

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rejeitou novamente a realização de eleições enquanto a guerra contra a Rússia continuar. “Eleições agora seriam um tsunami que dividiria o país”, afirmou Zelensky neste domingo (23).

Em outra declaração, ele foi ainda mais enfático. “Se quisermos destruir o país, então podemos avançar na direção das eleições durante estes tempos de guerra”. Segundo o presidente, o risco é dividir a sociedade e os soldados quando o país precisa se manter unido contra a invasão russa.

A manifestação veio depois que Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa e antigo aliado de Zelensky, passou a defender a retomada do processo eleitoral. Fedorov deixou o governo em julho, após um emabte com o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, sobre a condução da guerra e reformas no Exército.

Mykhailo Fedorov acusava o comando militar de bloquear suas iniciativas, mas Zelensky decidiu manter Syrskyi no cargo e demiti-lo. Desde então, ele passou a fazer críticas públicas ao governo que até pouco tempo integrava.

“A democracia não pode ser mantida como refém pela Rússia”, afirmou Fedorov na última terça-feira (18). Segundo ele, é preciso encontrar “um mecanismo legal, seguro e realista” para permitir eleições mesmo em uma guerra prolongada.

Mandato de Zelensky terminou em 2024

Mas a dificuldade não é apenas política. A Ucrânia está sob lei marcial, que impede eleições durante a guerra.

Além disso, uma votação neste momento teria de resolver uma série de problemas: garantir a segurança de eleitores e candidatos, permitir o voto de centenas de milhares de militares no front e incluir milhões de ucranianos que estão no exterior ou vivem em territórios ocupados pela Rússia.

Isso não significa que os ucranianos concordem sobre quanto tempo a espera deve durar. Segundo uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, 57% preferem que as eleições ocorram somente depois do fim dos combates. É uma maioria, mas está longe de representar um consenso.

O mandato original de Zelensky terminou em maio de 2024. A legislação ucraniana prevê a continuidade do presidente durante a lei marcial, até que um novo chefe de Estado possa ser eleito e tomar posse. Ainda assim, quanto mais tempo a votação é adiada, mais cresce a discussão sobre até quando uma democracia pode adiar a escolha popular.

Um dilema histórico

A história, no entanto, mostra que não existe uma resposta simples. Nos EUA, Abraham Lincoln manteve a eleição presidencial de 1864 mesmo no auge da Guerra Civil. O país também realizou eleições legislativas em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, e presidenciais em 1944, em plena Segunda Guerra. Lincoln chegou a defender que não haveria governo livre sem eleições.

Outras democracias fizeram escolhas diferentes. O Reino Unido adiou as eleições gerais previstas para 1940 por causa da Segunda Guerra Mundial e só voltou às urnas em 1945, depois da vitória dos Aliados na Europa. Israel também já adiou votações em momentos de guerra, como em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur.

Os exemplos mostram que guerra e eleições não são necessariamente incompatíveis, mas também que a decisão depende do contexto e das condições de cada conflito.

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