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Aniversário

1.ª angioplastia da América Latina completa 30 anos

Costantini com Assis, primeiro paciente a se submeter a angioplastia | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Costantini com Assis, primeiro paciente a se submeter a angioplastia (Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)

Em 1979, o lavrador catarinense Assis dos Santos de Oliveira, então com 55 anos, estava sentindo fortes dores no peito e procurou a Santa Casa de Curitiba, onde descobriu sofrer de doença coronariana. Ele precisaria se submeter a uma cirurgia cardíaca. O cardiologista Costantino Roberto Costan­ti­ni, entretanto, propôs outro procedimento: a angioplastia coronariana, uma técnica no­­va, que até então só tinha sido realizada na Europa e nos Estados Unidos. A angioplastia é uma técnica menos invasiva para desobstruir as artérias.

Oliveira aceitou ser o primeiro paciente da América Latina a passar por essa intervenção ao descobrir que o tempo de recuperação seria de apenas uma semana, contra 45 dias da cirurgia a peito aberto.

Trinta anos após a primeira intervenção, Assis, que hoje tem 86, vive sozinho na cidade de Lages (SC) e continua tocando a sua lavou­ra de milho, feijão e mandioca, em­bora esteja aposentado. Na época, os seus amigos e irmãos não acre­­ditavam que ele sobreviveria à cirurgia. "Chegaram a se despedir de mim porque pensaram que eu não ia mais voltar. Hoje, todos eles se foram, mas eu continuo aqui, firme e forte", conta.

Assis já se submeteu a outras sete angioplastias, pois a doença coronariana não tem cura e outras artérias foram afetadas. "Mas até hoje o local onde a primeira angioplastia foi realizada permanece intacto. Nada precisou ser alterado", explica Costantini.

Todos os anos, Assis passa por uma bateria de exames em Curiti­ba. Curiosamente, no aniversário de 30 anos do primeiro procedimento, um dos testes identificou uma alteração e ele teve de se submeter a uma nova angioplastia na segunda-feira. A cirurgia inesperada não abalou o lavrador. "Quero voltar logo para casa, porque tenho muito o que fazer. Não há nada melhor do que voltar ao trabalho para se sentir melhor."

Costantini, que sofreu duras críticas ao realizar o tratamento na década de 70, vê o paciente como um exemplo de como as novas tecnologias podem salvar vidas de forma não agressiva. "O Assis é a história viva da evolução da angioplastia, pois o seu coração já foi tratado com o que existe de mais primário e de mais sofisticado", acredita.

Evolução rápida

Na década de 70, a angioplastia coronária era realizada por meio de uma inserção, por uma artéria do braço, de um pequeno balão até o local do entupimento, onde era inflado. Es­­te ba­­lão esmagava a placa de gor­­dura contra a parede da própria artéria, desintegrando-a e permitindo a passagem do fluxo sanguíneo. Cinco anos de­­pois, o balão foi substituído pe­­los stents, dispositivos que abrem o canal tomado pela gordura. Atualmente, o procedimento é realizado com stents que liberam medicamentos, auxiliando o desentupimento.

Além de ser usada para de­­sobs­truir múltiplas artérias, in­clusive as carótidas e a aorta, a angioplastia é recomendada pa­ra tratar infarto agudo do miocárdio. O cardiologista Cos­tantino Costantini explica que a técnica é mais segura e eficiente do que a cirurgia cardíaca com ponte de safena. "O tempo de recuperação e hospitalização é menor, assim como os riscos de complicações e de morte", enumera. Segundo es­­tudos realizados pela Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, enquanto o índice de oclusão da ponte de safena é de 22% durante o primeiro ano, o das angioplastias é de 2%.

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