Ponta Grossa Apesar do preocupante avanço da dengue no Paraná, 277 municípios do estado ainda não registraram casos da doença neste ano. Localizadas em regiões com temperaturas mais amenas, as cidades mantêm estratégias de prevenção para evitar a contaminação. O controle de focos do mosquito Aedes aegypti e a orientação feita de casa em casa pelos agentes de endemias até agora têm evitado a proliferação.
Curitiba, como exemplo, registrou 33 casos importados (contraídos em outros municípios) da doença e contabilizou 45 focos do mosquito. Segundo a responsável pelo centro de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Karen Luhm, o último registro de caso autóctone (contraído na cidade) é de 2002. "Desenvolvemos um trabalho de prevenção que perdura desde 1998", afirma Karen.
Dentro desta estratégia, a cada 15 dias, 800 pontos estratégicos são visitados pelos agentes que procuram focos do mosquito. Entre os pontos estão borracharias, garagens de transportadoras, cemitérios e ferros-velhos. Quatro vezes ao ano, um terço dos domicílios de Curitiba, definidos aleatoriamente, são vistoriados pelos agentes. Também são colocadas "armadilhas" próximas a lugares de grande fluxo de pessoas, como rodoviárias. "Nossas armadilhas são pneus cortados ao meio com água limpa. A cada semana, recolhemos as larvas e vemos se há a presença do Aedes. Se a resposta for positiva, trabalhamos a área preventivamente."
Todo dia, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a agente de endemias Glacy Maciel de Souza, visita cerca de 20 casas. Ela orienta moradores, vira potes com água acumulada e entrega uma ficha de vistoria ao dono da casa. Segundo o gerente de zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, Leandro Inglês, o grupo de agentes faz a delimitação das áreas próximas de onde foram encontradas larvas do Aedes. Diante de cada foco encontrado, um raio de 300 metros de ação do local é vistoriado.
Desde o início do ano até agora, Ponta Grossa registrou dois casos de dengue importados e 24 focos do mosquito.
Os riscos de proliferação da doença em todo o estado existem. Neste ano, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou 4.098 casos de dengue no Paraná, sendo 3.741 autóctones e 326 importados. Duas pessoas morreram em Londrina e em Maringá neste ano, sendo um caso por dengue hemorrágica.
O número de casos confirmados já superou o total do ano passado, quando o Paraná teve 1.100 confirmações. A maior incidência da última década foi em 2003, quando o estado registrou 9.355 casos de dengue. O Ministério da Saúde, segundo o coordenador nacional de combate à dengue, Giovanini Coelho, que esteve em Maringá e em Curitiba nesta semana, descartou a existência de epidemia, mas admite os riscos. Dos 122 municípios paranaenses com dengue, 77 são classificados como de baixa incidência (menos de 100 casos por 100 mil habitantes), nove como de média incidência e 11 como de alta incidência (acima de 300 casos por 100 mil habitantes).



