São Paulo - Uma pesquisa inédita na América Latina descobriu que cerca de 29% da população brasileira sofre de dor crônica. Realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com profissionais do Hospital de Clínicas da USP e patrocinada pela Janssen-Cilag Farmacêutica, o estudo Epidor: Retratos da Dor no Brasil foi realizado com 2.401 entrevistados, entre homens e mulheres, de 18 a 91 anos, que moram em São Paulo. De acordo com a enfermeira e professora da USP Karine Leão Ferreira, uma das coordenadoras da pesquisa, ainda não existia um levantamento abrangente sobre a prevalência de dor no país.
Dor crônica é aquela que persiste após o tempo necessário para a cura de uma lesão ou por mais de três meses. O estudo descobriu que as dores na região da coluna são as mais frequentes e afetam 41,25% daqueles que revelaram ter dor crônica. Dores de cabeça e de enxaqueca estão em segundo lugar, apontadas por 31,2% dos entrevistados. Já as dores relacionadas à ansiedade e outros transtornos psíquicos atingem 24,5% do grupo ouvido.
Sexo e idade
Embora os entrevistados que mais sofrem com a dor crônica tenham 55 aos 59 anos (39%), o índice de jovens, com idade entre 18 e 29 anos, que revelaram o problema também é alto: 20%.
O estudo revelou ainda que as mulheres sofrem mais de dor. São 34% contra 20% dos homens. Segundo Karine Leão Ferreira, não existe um consenso sobre a razão dessa diferença. "Elas, na verdade, são as que mais se queixam de dor. Pode ser porque o perfil hormonal das mulheres as torna mais sensíveis."
Já para o médico Manoel Jacobsen, chefe do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP, a causa também pode ser cultural. "Os homens ainda não se sentem à vontade para assumir que sofrem com o problema, pois isso revelaria fragilidade", argumenta.
Quem está acima do peso tem mais riscos de desenvolver a dor crônica. Dos entrevistados que revelaram sofrer do problema, 38,5% eram obesos e 30,2% estavam com sobrepeso. "Isso ocorre porque a nossa estrutura músculo-esquelética não tem condições de suportar a sobrecarga de peso quando engordamos. O esforço do corpo para nos manter em pé ou caminhando é muito maior", explica Karine.
O sedentarismo é outro grande responsável pela manifestação da dor. "Quando não nos movimentamos, não nos beneficiamos das substâncias produzidas pelo nosso organismo, como e endorfina, responsáveis pela sensação de bem-estar. O nosso corpo não foi feito para ficar imóvel e quem sofre de dor não pode ficar parado", completa Jacobsen.
A dor crônica é o principal motivo que leva as pessoas a procurar o serviço de saúde, público ou privado, por ser o primeiro sinal notável de diversas doenças. "Ao avaliarmos o número de pessoas no Brasil que sofrem de dor, é possível pensar em novas políticas públicas de saúde para reverter o problema", acredita Karine Leão.
*A repórter viajou a convite do laboratório Janssen-Cilag.



