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Educação

37% dos universitários dedicam pouco tempo aos estudos extraclasse

Pouco mais de um terço dos estudantes de ensino superior no país reserva menos de 5 horas semanais para atividades fora da sala de aula

 | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
(Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

Quatro em cada dez universitários brasileiros (37,1%) dedicam menos de cinco horas semanais aos estudos fora da sala de aula. É o que revela levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem. O estudo ouviu 2,4 mil estudantes brasileiros, entre 18 e 24 anos, de seis universidades – duas públicas e quatro particulares.

Aparecida Neri de Souza, coor­­denadora do Grupo de Es­­tu­­dos e Pesquisa sobre Edu­­cação e Diferenciações So­­cio­­­cul­­turais (Gepedisc) da Uni­­versidade de Campinas (Uni­­camp), considera significativo esse porcentual. Segundo ela, a falta de dedicação ao estudo extraclasse prejudica a formação acadêmica. "Supondo que os estudantes fiquem quatro horas por dia na sala de aula, [menos de cinco horas semanais de estudo fora da sala] é um tempo relativamente pequeno e que pode comprometer a formação universitária. Estudantes que leem pouco têm problema com a escrita e de linguagem", explica Aparecida.

A pesquisa mostrou ainda que 34,4% do total resevam de seis a dez horas por semana para atividades extraclasse – o que daria uma média de 1 hora e 25 minutos por dia, tempo ainda considerado insuficiente para formação intelectual e profissional adequada, na opinião de especialistas.

Carteira assinada

Uma das causas dessa baixa carga de estudo fora da sala de aula pode ser a necessidade de estudantes trabalharem durante a formação acadêmica. De acordo com o levantamento do Ipea, 52% dos universitários ouvidos na pesquisa disseram exercer atividade remunerada – desses, 44,7% dedicam menos de cinco horas semanais aos estudos.

Apesar de relativizar a pes­­quisa, Ângelo Ri­­car­­do de Souza, coorde­­na­­dor do Núcleo de Po­­lí­­ti­­cas Educacionais da Uni­­­ver­­sidade Federal do Para­ná (UFPR), ressalta a importância da formação acadêmica para além das paredes da sala de aula. "Não podemos dizer que cinco horas é pouco, porque isso depende de quanto tempo o universitário fica na universidade. Mas é claro que o ideal seria que ele vivesse a universidade em sua plenitude e não precisasse trabalhar durante seu período de formação."

Os dados foram levantados com a participação da So­­cie­dade Brasileira de So­­ciologia e fazem parte de um levantamento que vai comparar o ensino superior e o perfil de universitários do Brasil e da China, país no qual foram entrevistados outros 2,4 mil estudantes do ensino superior.

Segundo o Ipea, foram ouvidos 400 estudantes de cada uma das seis universidades – três de Brasília e três de São Paulo. A pesquisa tem margem de erro de 5%.

Colaborou Adriana Czelusniak

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