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Aids

56% dos jovens com HIV são garotas

Acima dos 20 anos, porém, número de homens contaminados é praticamente o dobro das mulheres

Pedro e Mariana: sem chance de se proteger da doença | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Pedro e Mariana: sem chance de se proteger da doença (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)
Veja a distribuição de casos de aids segundo faixa etária e sexo |

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Veja a distribuição de casos de aids segundo faixa etária e sexo

As meninas são a maioria entre os jovens entre 13 e 19 anos portadores do HIV no Paraná. Quase 56% dos 441 casos acontecem em garotas e se concentram principalmente na grande Curitiba e em Londrina. A maior quantidade de mulheres contaminadas é uma característica apenas na adolescência. Depois dos 20 anos, em todas as faixas etárias, o número de homens é praticamente o dobro.

Para incentivar as pessoas a fazer o teste para detectar o vírus, o Ministério da Saúde tem um projeto-piloto de uma mobilização, o Fique Sabendo, para aumentar o número de exames feitos no país, que hoje é de apenas 30%, inclusive no Paraná. O estado é o segundo a participar depois de São Paulo e a ação teve início em Londrina no sábado passado, dia 13.

De acordo com Wilsa Regina Amaral, técnica de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Estado, existe uma resistência familiar maior na educação sexual em relação a meninas. "Hoje vemos que os adolescentes quase não procuram postos de saúde para fazer exame de aids", alerta. "Para as garotas, isso é pior ainda. Muitas delas não recebem orientação em casa, não usam preservativo e quando descobrem já estão doentes."

As campanhas nacionais desenvolvidas geralmente acontecem durante o carnaval e no Dia Mundial de Prevenção contra a Aids, no dia 1º de dezembro, mas não há nenhuma voltada especificamente ao adolescente. "O que iniciamos agora ainda não é uma campanha, mas um projeto em fase de desenvolvimento", explica Wilsa. "O lançamento foi em Londrina mas começou já no mesmo dia em todas as outras cidades. Em qualquer posto de saúde as pessoas podem fazer o exame que fica pronto na hora e é muito seguro." Todos podem fazê-lo, desde que tenham mais que 12 anos.

A técnica de vigilância, que é responsável por tabular o dados com o perfil dos portadores, conta que a maioria das meninas contaminadas tinha parceiros usuários de drogas. "Algumas delas vão hoje aos bailes de terceira idade, pois querem um parceiro mais maduro", comenta Wilsa. "Percebemos inclusive que o número de portadores com mais de 60 anos aumentou, mas ainda não podemos estabelecer alguma relação concreta, são apenas observações."

De acordo com o infectologista José Luiz de Andrade Neto, que é consultor em HIV do Ministério da Saúde e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), as mulheres de forma geral estão mais propícias a pegar o vírus. "A questão anatômica é relevante: o genital feminino é côncavo, o que torna o armazenamento do vírus bem mais fácil do que no homem", explica. "Além disso, o preservativo feminino não é muito usado, o que coloca na mão do sexo masculino a maior parte da decisão na hora de usá-lo ou não."

Segundo o médico, a previsão dos infectologistas há 20 anos era que devido a esses fatores, a doença fosse mais comum em mulheres. Hoje isso é uma realidade no Paraná apenas em adolescentes. Nos anos 80, para cada mulher contaminada havia 14 homens. Hoje, para cada menino entre 13 e 19 anos, há cerca de 1,3 meninas.

Alguns adolescentes não têm a oportunidade se de prevenir contra o HIV, pois adquirem a doença da mãe. É o caso de Pedro e Mariana – nomes fictícios –, de 17 e 16 anos respectivamente, que são portadores e moram na Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav), uma organização não governamental que cuida de crianças e jovens que possuem o vírus.

Os dois freqüentam uma escola estadual perto da associação e, como todos os jovens da sua idade, estão na fase de namorar e se preocupar com a aparência. Pedro, devido aos medicamentos diários que toma, fica com a musculatura enfraquecida e no rosto isso é mais evidente. "Ele me contou que estava preocupado com isso, queria dar um jeito de mudar. Ele queria ficar bonito por causa das meninas", diz a presidente da Apav, Maria Rita Teixeira.

Maria Rita conta que sempre fala abertamente com eles sobre a doença e explica que eles podem namorar, desde que sejam honestos com seus parceiros e tomem os devidos cuidados. "Eles são adolescentes normais e podem se relacionar como qualquer outro desde que com as prevenções necessárias."

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