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Nutrição

A dieta do bom humor

Substâncias presentes em alguns alimentos interferem na produção de neurotransmissores, por isso são capazes de influenciar o estado emocional das pessoas

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Alimentos que alteram a atividade cerebral por meio da produção de neurotransmissores |

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Alimentos que alteram a atividade cerebral por meio da produção de neurotransmissores

Diz o ditado que cara feia é fome. Mas, se mesmo de barriga cheia você anda por aí com a testa franzida, reclamando da vida, achando tudo sem graça, talvez seja melhor prestar atenção no que anda comendo. Muita gente não sabe, mas o segredo para uma vida bem- humorada pode estar no prato.

A explicação é simples: alguns alimentos contêm substâncias que interferem na produção de determinados neurotransmissores (substâncias químicas que fazem a comunicação entre as células nervosas do cérebro) e por isso são capazes de influenciar o humor. Embora ainda não haja um consenso entre os especialistas sobre a interferência da alimentação nas emoções, alguns estudos sugerem que o consumo de alimentos que auxiliam na produção de neurotransmissores pode ajudar no combate a problemas como depressão, ansiedade, irritação, entre outros.

Sabe-se que a falta de algumas substâncias ou o excesso de outras pode provocar uma série de reações no organismo. Entre os principais responsáveis pela sensação de estar de bem com a vida estão: serotonina, dopamina e noradrenalina. Uma substância chamada triptofano, encontrada em alimentos como feijão, ervilha, carnes, leite e soja, é a principal envolvida no processo de produção da serotonina. "Os carboidratos em geral são fonte de triptofano, por essa razão as pessoas que se sentem deprimidas ou ansiosas ingerem doces e chocolates para se sentir melhor", explica o nutrólogo Afrânio Lamy, da Associação Brasileira de Nutrologia.

Outros amigos do bom humor são as vitaminas C, B6 e B12. Colina e lecitina, presentes em alimentos como soja e ovos também atuam de forma benéfica. "Frutos do mar e castanha-do-pará são ricos em selênio que agem também como antioxidantes, preservando assim o bom funcionamento do organismo", completa o especialista.

E a lista não pára por aí. A neurocientista Patrícia Brocardo, da Universidade Federal de Santa Catarina, estudou, em sua tese de doutorado, os efeitos do ácido fólico, presente em alimentos como o brócolis. "Conseguimos demonstrar que o ácido fólico é capaz de interagir com neurotransmissores, serotonina e noradrenalina, para combater a depressão", afirma.

Além da serotonina e da noradrenalina, a alimentação tem influência ainda sobre a produção de dopamina, hormônio que também tem ligação com o humor, mas que está mais relacionado a sensação de prazer. O organismo libera dopamina quando uma pessoa come algo que gosta muito, que sente prazer em comer.

No entanto, se por um lado alguns nutrientes são capazes de ajudar a manter o bom humor, o consumo exagerado de outros pode resultar no efeito inverso. Alimentos muito gordurosos alteram o funcionamento do intestino, afetando a absorção de nutrientes e a secreção de determinados hormônios. Estimulantes, como café, chá, chocolate também podem interferir no humor de forma negativa, uma vez que provocam a liberação de adrenalina. Jejum prolongado é algo que deve ser evitado. A queda dos níveis de glicose no sangue tem um efeito negativo sobre o humor. O ideal é fazer de quatro a seis refeições por dia, não ficando mais do que quatro horas sem comer.

Especialistas alertam, que embora já hajam estudos indicando os benefícios da alimentação no combate aos distúrbios do humor, os alimentos não podem se encarados como a cura para essas patologias. "É mais no sentido da prevenção, eles podem atuar como um suporte no tratamento", diz a psiquiatra Maria Helena Muniz, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

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