
A redução do índice de mulheres que morrem por complicações durante a gravidez ou no parto é o maior obstáculo brasileiro para que todas as metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) sejam cumpridas até 2015. O desafio é reduzir em 75% o número de óbitos registrados em 1990. Segundo o Ministério da Saúde, o indicador de mortalidade materna era de 141 gestantes mortas a cada 100 mil bebês nascidos com vida. Em 2010, o total estava em 68 a cada 100 mil. A meta é diminuir para menos de 35 óbitos.
INFOGRÁFICO: De modo geral, o Paraná está cumprindo os requisitos do Objetivos do Milênio
No Paraná, a situação também é complicada. A taxa precisa cair de 90,5 para 22 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Em 2011, o total ficou em 51 óbitos número ainda superior ao dobro do estimado. As metas foram estipuladas em um acordo entre 191 países, intermediado pela Organização das Nações Unidas no ano 2000. Ficou determinado que 2015 seria o ano limite para o cumprimento dos objetivos.
Segundo levantamento recente divulgado pelo Observatório de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis), 39 cidades paranaenses não conseguirão reverter o índice de óbitos de gestantes ou de mães que morreram em até 42 dias após o parto.
Em abril teve início a contagem regressiva dos mil dias para o cumprimento das metas do milênio. Apesar dos avanços registrados, especialistas atestam que é fundamental ampliar o investimento na saúde básica, com capacitação de profissionais e investimento na infraestrutura hospitalar, além de políticas públicas que conscientizem sobre a necessidade de a gestante fazer o pré-natal.
Cesárea
Outro fator apontado como risco às gestantes é a cesárea. De 2000 a 2010, 43% dos partos foram por cesariana índice que ultrapassa em muito os 15% considerados adequados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Cesariana é uma cirurgia. Deve ser feita somente em casos necessários, com gravidez de risco. Há uma epidemia de cesárea no país, o que aumenta a chance de morte", afirma a pesquisadora em Saúde Reprodutiva da Universidade de Campinas (Unicamp) Margareth Arilha. Segundo ela, o grande problema no país ainda é a escassez de profissionais qualificados e de unidades de saúde adequadas. "Precisa melhorar a infraestrutura", salienta.
Para um dos articuladores do movimento Nós Podemos Paraná, que incentiva o cumprimento das metas, João Frederico Souza, o grande desafio é a aplicação eficiente dos recursos públicos. "O governo deve investir onde é mais preciso, mas isso não exclui a sociedade civil de realizar ações que possam conscientizar a população", ressalta.
Secretaria diz que é possível cumprir meta até 2015
A superintendente de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Márcia Huçulak, acredita que o Paraná terá condições de cumprir as metas estipuladas até 2015. Isso porque, segundo ela, entre 2001 e 2010 a redução da mortalidade materna ficou praticamente estagnada. "Nesse período, a queda foi de 22%. Apenas em 2011 conseguimos registrar uma redução de 20%. Se continuarmos assim, temos chance de atingir a meta", acredita Márcia.
Segundo ela, grande parte da redução de óbitos de grávidas deve-se ao programa Mãe Paranaense. "Já temos 160 novas unidades de saúde com equipamentos necessários para um bom acompanhamento materno e infantil. Além disso, trabalhamos com a capacitação dos profissionais da saúde", explica. São 2 mil servidores ligados diretamente com a saúde materna no Paraná.
Conscientização
"Nós ainda não conseguimos chegar à gestante no sentido de conscientizá-la. O que fizemos foi melhorar a atenção primária e a retaguarda de atendimento em casos de emergência", ressalta Márcia.
Ela salienta ainda que essa qualificação ocorre por meio do Programa de Apoio e Qualificação de Hospitais Públicos e Filantrópicos do Paraná (HospSus). De acordo com ela, o estado possui 25 hospitais de referência para atendimentos de gestantes de alto risco. "A grávida deve ter acompanhamento no pré-natal com no mínimo sete consultas e exames de classificação de risco", afirma.
Clique aqui e confira o infográfico em tamanho maior




