
Há cino anos começou uma lenta revolução na flora do Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Com o aval de uma portaria estadual, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) iniciou um programa para erradicar espécies exóticas. Desde então, 685 mil árvores de pínus foram derrubadas. Agora, o que começou foi a retirada de pés de eucalipto e outras espécies invasoras. O objetivo é dar mais espaço às árvores nativas, como as araucárias.
O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Guilherme de Camargo Vasconcellos, conta que até este ano foram retirados os pínus. Na segunda fase do programa, que está em andamento, estão sendo derrubados os eucaliptos e outras espécies "intrusas", como a santa-bárbara e o alfeneiro. Esta fase se estende até março do ano que vem, quando serão recolhidos todos os restos de madeira.
A partir do segundo trimestre de 2013 começa o trabalho de refinamento, em que funcionários terceirizados irão colher manualmente as mudas de pínus que se formarem após a retirada do bosque exótico, e também colocar produtos químicos nos tocos dos eucaliptos para evitar que eles rebrotem. Além disso, serão retiradas as raízes das árvores exóticas para evitar que elas voltem a se reproduzir no parque e atrapalhem o desenvolvimento das espécies nativas. "Nós não vamos fazer plantio de espécies nativas, não vamos interferir no processo de recuperação natural que existe com o banco de sementes que estão no solo", aponta Vasconcellos.
Em alguns trechos onde o eucalipto foi retirado, as araucárias cresceram com dificuldade, tornando-se mais baixas e com poucos galhos. Isso acontece, segundo Vasconcellos, porque as espécies exóticas fazem sombra e retiram os nutrientes do solo, competindo com as nativas. A variedade, conforme Vasconcellos, se formou porque antigamente funcionava na área que foi incorporada ao parque uma fazenda experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) que testava as sementes.
Relembre
Em 2005, o IAP editou uma portaria para erradicar as espécies exóticas em unidades de conservação e, em 2007, o trabalho iniciou em Vila Velha com a retirada de pínus. O programa de erradicação, segundo informações do IAP, é inédito nas unidades de conservação brasileiras.
O parque existe desde 1953 e sempre foi aberto à visitação. Entre 2002 e 2004, no entanto, ele ficou fechado para a revitalização das trilhas e a confecção de um plano de manejo que não degradasse as áreas visitadas, como os arenitos, Furnas e Lagoa Dourada. Somente no ano passado, o parque recebeu 61 mil visitantes.



