Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
árvores

Aberta a temporada de caça a eucaliptos no Paraná

Derrubada de espécies exóticas no Parque Estadual de Vilha Velha pretende dar mais espaço às nativas, como a araucária

Derrubada de eucaliptos segue até março de 2013 | Josué Teixeira/ Gazeta do Povo
Derrubada de eucaliptos segue até março de 2013 (Foto: Josué Teixeira/ Gazeta do Povo)

Há cino anos começou uma lenta revolução na flora do Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Com o aval de uma portaria estadual, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) iniciou um programa para erradicar espécies exóticas. Desde então, 685 mil árvores de pínus foram derrubadas. Agora, o que começou foi a retirada de pés de eucalipto e outras espécies invasoras. O objetivo é dar mais espaço às árvores nativas, como as araucárias.

O diretor de Biodiversidade e Áreas Prote­­gi­­das do IAP, Gui­­lherme de Camargo Vas­­con­­cellos, conta que até este ano foram retirados os pínus. Na segunda fase do programa, que está em andamento, estão sendo derrubados os eucaliptos e outras espécies "intrusas", como a santa-bárbara e o alfeneiro. Esta fase se estende até março do ano que vem, quando serão recolhidos todos os restos de madeira.

A partir do segundo trimestre de 2013 começa o trabalho de refinamento, em que funcionários terceirizados irão colher manualmente as mudas de pínus que se formarem após a retirada do bosque exótico, e também colocar produtos químicos nos tocos dos eucaliptos para evitar que eles rebrotem. Além disso, serão retiradas as raízes das árvores exóticas para evitar que elas voltem a se reproduzir no parque e atrapalhem o desenvolvimento das espécies nativas. "Nós não vamos fazer plantio de espécies nativas, não vamos interferir no processo de recuperação natural que existe com o banco de sementes que estão no solo", aponta Vasconcellos.

Em alguns trechos onde o eucalipto foi retirado, as araucárias cresceram com dificuldade, tornando-se mais baixas e com poucos galhos. Isso acontece, segundo Vasconcellos, porque as espécies exóticas fazem sombra e retiram os nutrientes do solo, competindo com as nativas. A variedade, conforme Vasconcellos, se formou porque antigamente funcionava na área que foi incorporada ao parque uma fazenda experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) que testava as sementes.

Relembre

Em 2005, o IAP editou uma portaria para erradicar as espécies exóticas em unidades de conservação e, em 2007, o trabalho iniciou em Vila Velha com a retirada de pínus. O programa de erradicação, segundo informações do IAP, é inédito nas unidades de conservação brasileiras.

O parque existe desde 1953 e sempre foi aberto à visitação. Entre 2002 e 2004, no entanto, ele ficou fechado para a revitalização das trilhas e a confecção de um plano de manejo que não degradasse as áreas visitadas, como os arenitos, Furnas e Lagoa Dourada. Somente no ano passado, o parque recebeu 61 mil visitantes.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.