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Comportamento

Academias ao ar livre afastam sedentarismo

Prática de atividade física em locais públicos exige cuidados dos usuários para evitar lesões

Equipamentos públicos na Arthur Bernardes, em Curitiba: média de 300 pessoas por dia, com tempo bom | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Equipamentos públicos na Arthur Bernardes, em Curitiba: média de 300 pessoas por dia, com tempo bom (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Os dias mais longos do verão são um convite para começar aquela eterna prática rotineira de exercícios prometida e nunca cumprida. Nas academias ao ar livre, instaladas em diversas praças e parques de Curitiba, a tarefa pode ficar mais simples, com exercícios fáceis e de pouco impacto. Os equipamentos incluem aparelhos de aeróbica, alongamento e musculação e são resultado de um chamamento público, em que a empresa Ziober se comprometeu a doar e instalar cem academias na cidade em troca de espaço publicitário. Segundo a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, a doação representa R$ 6 milhões de economia para o município. Nos planos do projeto, ainda há a instalação de academias para crianças e pessoas com deficiência, sem previsão de inauguração.

Em um ano e meio, foram instaladas 40 unidades. "Temos mais 30 locais prontos aguardando equipamentos", explica o secretário de Esportes e Lazer de Curitiba, Rudimar Fedrigo. Para ele, as academias estimulam a prática de atividades físicas e ainda aquecem o mercado de academias particulares, por atrair clientes que buscam novos exercícios e mais assistência. "Mas possibilitam, sobretudo, atividade física a quem não tem condições financeiras", diz. Interação social é outro ponto importante dessas academias. Algumas, como a da Arthur Bernardes, chegam a atrair 300 pessoas por dia, segundo a prefeitura. Juciliana Fierontin do Carmo reúne 11 amigas para todo domingo fazer exercícios na Arthur Bernardes. "Quando tem sol, a praça fica cheia e a mulherada vem fazer ginástica. Já perdi alguns quilinhos", conta.

Adiantando o dado de uma pesquisa ainda não concluída, sobre o uso dos aparelhos, o secretário destaca que as academias reduziram em cerca de 30% o uso de medicamentos por parte dos usuários que tinham dores. O aposentado João Maschke operou um câncer no pulmão há cinco anos e, desde então, estava sedentário. Por recomendação médica, há um mês e meio ele começou a se exercitar diariamente na academia. "Achei sensacional, me sinto bem melhor e acho que isso vai economizar muito médico por aí", brinca.

"Talvez chegue uma hora que a rotina se torne repetitiva, vicie o organismo", afirma a bancária Elana Sílvia Santos Flores, usuária da academia na Arthur Bernardes. Outra frequentadora, a aposentada Maria de Fátima Inocente, reclama da falta de regulagem nos equipamentos, que poderiam se tornar mais pesados para quem estivesse mais em forma. O secretário explica que as academias foram desenhadas para aumentar tônus muscular e dar mais equilíbrio. "A partir dos 40 anos, temos uma perda natural de massa muscular e tarefas simples como amarrar o sapato se tornam difíceis", explica.

Alongamento

A bancária Elana observa que muitos usuários não se alongam antes de começar a se exercitar. "Não dá para fazer assim na louca, nem todo mundo lê o painel", afirma. "Acho interessante que haja instruções, mas seria bom que houvesse assessoria mostrando como usar esse equipamento", diz Felipe Gonçalves, mestre em educação física pela Univer­­sidade Federal do Paraná. O secretário Fe­­­drigo afirma que as academias foram desenhadas para funcionarem sozinhas.

O aposentado João Maschke lembra que é preciso ter muito cuidado para manutenção dos equipamentos públicos. Ele afirma que já presenciou o mau uso dos equipamentos e chamou atenção dos usuários. "Não é o equipamento em si que vai fazer com que a comunidade cuide", explica o professor Gonçalves. "Dependendo do lugar, talvez haja degradação rápida: precisaria haver conscientização". Segundo o secretário, quase não há problemas de vandalismo. A manutenção das academias é responsabilidade da Ziober durante cinco anos.

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