Nos últimos seis anos, os acidentes com animais peçonhentos cresceram quase 33% em todo o país, segundo dados do Ministério da Saúde. Passaram de 68.219 casos em 2003 para 90.558 no ano passado. Foram 309 mortes no período causadas por picadas de escorpiões, serpentes e aranhas e por "queimadura" de lagarta. No ano passado, os escorpiões lideraram os registros no país, com 45.721 casos.
No Paraná, a alta no período foi menor 3,5%. Mas o estado é disparado o que soma o maior número de notificações por acidentes com aranhas. Em 2009 foram 7.703 casos. O Paraná também é o campeão em acidentes com lagartas. Foram 941 casos no ano passado e alta de 283% nos últimos seis anos.
De acordo com a chefe de divisão de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) e coordenadora do Centro de Envenenamento de Curitiba (CCE), Gisélia Guimarães Rubio, o fato de o Paraná registrar um grande número de acidentes com aranhas, lagartas e escorpiões (que cresceu 96% em seis anos), significa que a notificação dos casos está funcionando. "Por isso existe grande diferença nos números. A notificação aqui é obrigatória, ao contrário de outros estados."
Segundo o responsável pela área técnica de animais peçonhentos da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Daniel Sifuentes, o registro de acidentes com animais peçonhentos também é indispensável em outros estados, sempre por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). "O que varia é a intensidade das vigilâncias sanitárias que, no caso do Paraná, é mais estruturada."
O professor do curso de Ciências Biológias da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e pesquisador na área de controle de animais peçonhentos, Eduardo Novaes Ramires, explica que a alta na incidência de acidentes se dá por causa, principalmente, da adaptação desses animais (notadamente escorpiões e aranhas) ao meio urbano. "A aranha marrom hoje é uma praga urbana, pois prefere o ambiente interno das residências. Ela não é comum na mata, já que fica restrita ao predador."
A espécie presente em Curitiba e região metropolitana (a loxosceles), segundo o professor, também apresenta outra característica: consegue percorrer grandes distâncias. "Elas chegam a se locomover até 30 metros em uma noite, o que aumenta a chance de contato com os humanos."
Em Curitiba, foram registrados até junho deste ano 772 casos de acidentes com aranhas-marrons. "A tendência é terminar o ano com menos casos do que em 2009, quando foram registrados 2.331", diz o biólogo do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Marcelo Luiz Vettorello. Entre os acidentes do ano passado, apenas 14 foram graves. "O último óbito registrado em Curitiba foi em 1995, quando se sabia pouco sobre o assunto. Hoje, a cidade é seguramente um polo de pesquisa."
O Paraná é atualmente o único produtor nacional do soro antiloxoscélico (específico para casos de aranha-marrom) e tem parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, para envio do veneno, que possibilita a criação do soro antiaracnídeo (usado para outras espécies de aranhas e escorpiões).
No ano passado, segundo o diretor do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), que faz a produção do soro, Rubens Gusso, foram produzidas 6 mil doses, distribuídas em todo o país. "O número de produção é suficiente, já que nem todos os casos de picadas com animais peçonhentos são tratadas com soro", diz. Gisélia Rubio, da Sesa, enfatiza que o uso dos soros (incluindo o antilonômico, para acidentes com lagartas, e o antiofídico, para serpentes), deve ser ministrado por um médico, preferencialmente até 36 horas após o incidente.





