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Foz do Iguaçu

Aduana não terá estrutura suficiente

Alfândega será inaugurada em outubro com déficit de equipamento e pessoal da PRF

Foz do Iguaçu – Apesar de ser considerada corredor de carros roubados, a Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, não terá sistema diferenciado para fiscalizar veículos com destino ao Paraguai, mesmo após a inauguração das novas instalações da alfândega na pista de saída do Brasil, prevista para outubro. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), falta estrutura e efetivo para uma vistoria 100%.

O chefe da Delegacia da PRF em Foz do Iguaçu, Wesley Rotta, diz que não existe projeto para a instalação de câmaras especializadas na identificação de veículos furtados na área de fronteira. A única previsão é de que seja colocado um ponto de internet no posto ocupado hoje pelos policiais, mas que pertence à Receita Federal, responsável pelas obras da aduana. "O Ministério da Justiça não disponibilizou verba para a polícia. A estrutura foi feita para a Receita Federal", diz.

O ponto de internet possibilitará aos agentes consultar a procedência do veículo, a partir da documentação fornecida pelo motorista. Se houver queixa de furto, a situação será identificada. No entanto, a polícia alega que não há possibilidade de vistoriar todos os veículos que passam pela fronteira com destino ao Paraguai, ao contrário do que é feito na Argentina, onde a fiscalização é 100% e pessoas sem documento de identidade são impedidas de entrar no país. "No horário de pico não tem efetivo suficiente", diz Rotta.

Levantamento de 2004 do Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (Dnit) indica que aproximadamente 13,4 mil carros, 5,7 mil vans, 18,6 motos e 570 caminhões circulam diariamente pela Ponte da Amizade, nos dois sentidos.

Atualmente, a fiscalização de veículos que deixam o Brasil para o Paraguai é por abordagem, mas nem todos os carros são parados. À noite, há casos em que ladrões aceleram o veículo para evitar a fiscalização ou até atiram.

Preocupação

A única câmara para identificar carros roubados na fronteira está no posto de Santa Terezinha de Itaipu da BR-277, nos limites com Foz. O sistema, chamado Sinevam, faz a leitura automática da placa do veículo e emite um som caso haja ocorrência de furto. Apesar da Ponte da Amizade ser uma área crítica, até hoje as autoridades brasileiras não se preocuparam em melhorar as condições de trabalho da PRF e PF ou providenciar um sistema digital antifurto.

Para o Secretário Municipal de Cooperação para Assuntos de Segurança Pública de Foz do Iguaçu, Renato Ribeiro Peres, o quadro é preocupante porque muitos veículos roubados são trocados por drogas. "Foz do Iguaçu terá uma estrutura de primeiro mundo, mas sem recursos de primeiro mundo. Quiçá nossos órgãos federais tivessem a estrutura da Argentina", salienta. Peres ainda faz um alerta: " Não estão em jogo apenas os carros de Foz do Iguaçu, mas de outras cidades do Brasil".

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