Maringá Parte do mercado internacional fechou as portas para a carne brasileira, por causa da recente descoberta de focos de febre aftosa, mas manteve o interesse por quem trabalha no setor. Uma agência de Maringá está recrutando desossadores para trabalhar em frigoríficos na Austrália. Desde que a seleção foi aberta, há cerca de oito meses, 150 brasileiros já foram ganhar a vida cortando carne na terra dos cangurus.
Segundo a agência Brazil Gateway, o profissional tem a chance de ganhar um salário anual de US$ 37 mil (cerca de R$ 78,5 mil) na Austrália nada mal para quem atua em um mercado que, por aqui, anda abalado pela crise da aftosa. A agência manda trabalhadores para nove frigoríficos em três estados australianos. O motivo do interesse pelos brasileiros é a falta de mão-de-obra naquele país. "Os australianos se dedicam mais ao estudo e desenvolvimento de tecnologia, sobrando vagas de trabalho", afirma o gerente da agência, Roger Rodrigues Silva. Segundo ele, a previsão é enviar mil pessoas entre desossadores e familiares para o exterior até o fim do ano.
De longe
Roberto Beto Lucas, 28 anos, viajou 19 horas desde Bela Vista, em Goiás, para fazer o teste no Paraná e tem boas chances de ser contratado. Ele tem experiência de cinco anos em frigorífico, quatro anos em açougue e fez o teste tranqüilamente, apesar de hoje em dia não estar trabalhando no setor. Ele atua há cinco meses como segurança, por um salário de R$ 900. "A gente fica um pouco nervoso, mas eu quero ir, buscar a família depois e ficar três anos", diz Lucas, que sonha em comprar uma casa e criar vacas leiteiras.
Quem também viajou bastante e fez um bom teste foi Adriano Soares, 25 anos. Ele trabalha em um frigorífico em Iturama, Minas Gerais, a 600 quilômetros de Maringá. Como desossador, ganha R$ 555 por mês e nem hesita em tentar uma vida melhor em outro país, ao lado da esposa e do casal de filhos.
Familiares de quem já está na Austrália garantem que a experiência é positiva. O marido de Ana Paula Queiroz Simião também saiu de Iturama e está há cinco meses trabalhando em frigorífico australiano. "Ele nem pensa em voltar. Eu e minhas duas filhas vamos mudar para lá este ano", diz. "Aqui a gente ganha uma mixaria."
Os profissionais que buscam uma oportunidade na Austrália querem deixar para trás preocupações, como desemprego, dívidas, baixo salário ou um futuro incerto para a família. A maioria que chega ao açougue onde o teste é aplicado está desempregada e nem imagina como será ganhar cerca de R$ 6,5 mil por mês, caso seja aprovado no teste e contratado por um frigorífico australiano. "Quero levar a família comigo e comprar uma casa", sonha José Carlos da Silva, 29 anos, desempregado há um mês, em Naviraí, Mato Grosso do Sul, a 400 quilômetros de Maringá.



