Levantamento inédito do Ministério da Saúde sobre atendimentos nas emergências dos hospitais de 35 cidades nos 27 estados comprova que a violência em casa é a causa número um de atendimentos urgentes entre mulheres. Em segundo lugar vêm tentativas de suicídio e maus-tratos, que o Ministério da Saúde define como violência repetida.
O Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes do ministério monitorou 4.854 atendimentos por causas violentas e identificou que 72% dos maus-tratos foram praticados por parente. Com o serviço, que começou a operar em 2006 e traz os primeiros resultados, o hospital é obrigado a registrar o motivo do ferimento e seu possível causador.
Para a coordenadora de doenças e agravos não-transmissíveis do Ministério da Saúde, Marta Silva, a violência familiar deixa de ser um assunto privado e passa a ser tratado como questão de Estado. "Todas as violências são graves, mas a pesquisa deixa em evidência um problema escondido. De cem pessoas, 72 são vítimas das pessoas que deveriam protegê-las. Não é ladrão, não é desconhecido. Os agressores contra crianças são os pais, contra as mulheres, os maridos, e contra os idosos, os filhos."
Em Brasília, pelo menos 13 mulheres se escondem da violência doméstica na Casa Abrigo do Distrito Federal, que acolhe vítimas de violência doméstica. Além das mães, 17 crianças retiradas do ambiente de agressão estão no abrigo. Marina, de 24 anos, apanhou do marido durante quatro anos e não foi poupada nem na gravidez. Desempregada, ela tem duas filhas. Abandonada pela mãe, foi criada pelo pai. Quando se casou, passou a apanhar do marido. " Ele chegava bêbado e vinha com ignorância. Quando bebe, vira outra pessoa."



