
O Airbus A330 da Air France que desapareceu na madrugada de segunda-feira quando fazia a rota Rio-Paris emitiu 24 sinais de anomalias em seus sistemas durante os minutos anteriores a sua saída da zona de monitoramento do radar do Rio de Janeiro, informaram neste sábado (6) os investigadores franceses em entrevista coletiva.
Embora por enquanto ainda não seja possível estabelecer a causa destes problemas, os investigadores declaram que, no dia do ocorrido, as condições meteorológicas não eram "particularmente excepcionais".
A hipótese de bomba a bordo não foi "excluída 100%", mas o diretor do escritório francês de investigação e análise, Paul-Louis Arslanian, disse que não é o mais provável com os elementos que se tem até agora.
Segundo Arslanian, os sinais enviados pela aeronave mostram que o piloto automático não estava ligado, mas não está claro se ele foi desligado pelos pilotos ou pararam de funcionar pois receberam informações contraditórias de velocidades.
Destroços
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, alheio às críticas que recebeu por declarações consideradas "precipitadas", reafirmou na sexta-feira (5), em São Borja (RS), que parte dos destroços encontrados pelas embarcações da Marinha é mesmo do avião da Air France que desapareceu no domingo no Oceano Atlântico. O ministro chegou a São Borja pela manhã para vistoriar a Operação Fronteira Sul, que se desenvolve no município, sob a coordenação do Comando Militar do Sul. À tarde, seguiu para Santa Maria.
Jobim comentou que parte do material localizado é lixo descartado por navios e outra parte é formada por pedaços da aeronave francesa. "Fizemos em Fernando de Noronha um ponto de apoio, onde já está um container frigorífico, para o caso de ser localizado algum corpo", comentou. Na terça-feira, em conversa com parentes das vítimas, no Rio, o ministro chegou a afirmar que corpos deveriam boiar em até 70 horas. Já se passaram mais de 130 horas e nenhum foi localizado.
O ministro declarou que ainda não existem dados consistentes sobre as causas do desaparecimento do avião e que isto é objeto de investigação das autoridades francesas, conforme determina convenção internacional que trata do assunto. O material encontrado será levado para Fernando de Noronha onde passará por uma primeira avaliação dos peritos da Aeronáutica.
Investigações
Também na sexta-feira (5) o Tribunal de Paris a abertura de um processo por "homicídio culposo" relacionado com o desaparecimento do Airbus A330 da Air France com 228 pessoas a bordo, quando voava do Rio de Janeiro a Paris. O pedido de abertura foi encaminhado pelo Ministério Público.
A instrução do sumário estará a cargo da magistrada Sylvie Zimmerman.
As famílias receberão outra carta da seção civil do Ministério Público para "fornecer a elas todas as informações úteis sobre este procedimento civil", acrescentou o órgão, que também deu dois números de telefone para que os familiares possam se comunicar com sua seção civil: (00 331) 44 32 67 00 e (00 331) 44 32 57 04.










