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Meio ambiente

Alface vira praga em rio da RMC

A multiplicação de uma planta conhecida como alface d’água transformou em um tapete verde o trecho do Rio Itaqui que corta o bairro Jardim Cristal, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (RMC). A "mudança" na paisagem, há quatro anos, tem provocado problemas constantes de mau cheiro, segundo moradores da região. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente do município, as plantas são um sinal de queda na qualidade da água do rio, provavelmente causada por despejo de esgoto doméstico.

"Isso aqui já foi um local de lazer no fim de semana, agora não vem quase ninguém", conta a dona de casa Ariete Pedão, 53 anos, que mora em uma chácara na beira do rio. A cobrança de taxa dos visitantes garantia renda extra para a família Pedão, que tem o imóvel há mais de 50 anos e permitia a entrada de famílias para passarem o dia pescando no rio. "Já pensamos até em vender a chácara, por causa do mau cheiro. Dependendo da direção do vento, não dá para agüentar ficar em casa", diz ela.

O cheiro da planta em decomposição lembra o odor de esgoto, mas é sentido principalmente quando se chega bem próximo à água. O pintor Rubens Gabriel, que mora na outra margem do Itaqui, por exemplo, não tem queixas. "Como minha casa fica um pouco mais distante, nunca senti cheiro ruim", diz ele. Na casa dos Pedão, por outro lado, até mutirão foi feito para retirada das plantas. A ação teve o apoio da organização não-governamental Ecorios. "Tiramos vários caminhões e não conseguimos fazer a limpeza completa, porque não havia condições de cobrir os custos com o transporte. Logo elas voltaram a cobrir o leito", diz o presidente da entidade, Iolando Wojcik.

O secretário de Meio Ambiente de São José dos Pinhais, José Tadeu Motta, diz que a multiplicação rápida da planta é um sinal de queda na qualidade da água. "A planta está lá porque a água é poluída. O mau cheiro provavelmente é do próprio rio, não das alfaces", afirma. Segundo Motta, é provável que haja despejo irregular de esgoto doméstico no Itaqui.

O presidente da Ecorios não concorda que o cheiro seja causado por poluição da água. "Quando fizemos o mutirão o cheiro sumiu. Ele é provocado pelas plantas. As alfaces estão bloqueando a entrada de luz solar, tirando o oxigênio da água", explica. Informações repassadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre a planta confirmam esta possibilidade. Segundo os técnicos do IAP, a alface d’água é nativa do Brasil e já foi considerada uma planta ornamental, embora em alguns lugares seja considerada uma praga. O mau cheiro, dizem os técnicos, deve-se à decomposição dessa planta quando exposta ao sol. Transformada em matéria orgânica, ela mata outras plantas e até mesmo peixes, informa o órgão.

Manancial

O que mais preocupa em toda a história, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, José Tadeu Motta, é que o rio faz parte de uma bacia de manancial. Ele avalia também que seria necessária uma vistoria ao longo do rio, mas não há previsão para este trabalho. De acordo com a Sanepar, a rede de coleta de esgoto do bairro Jardim Cristal foi finalizada recentemente – em dezembro – e ainda são poucas as casas da região que já fizeram a ligação.

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