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Comportamento

Alguns bairros de Curitiba gastam três vezes mais água que outros

Batel é o campeão de consumo da capital. Ranking é influenciado por aspectos como tamanho do imóvel e número de eletrodomésticos

A dona de casa Andrea Caetano, moradora do bairro São Miguel, lava as roupas da filha Maria Clara três vezes por semana | Marcelo Andrade / Gazeta do Povo
A dona de casa Andrea Caetano, moradora do bairro São Miguel, lava as roupas da filha Maria Clara três vezes por semana (Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo)

O Batel é o bairro curitibano com maior consumo de água por morador. São 290 litros diários por pessoa, média semelhante à registrada em países europeus. Na sequência no ranking estão Mossunguê, Hugo Lange, Cabral e Bigorrilho. Os dados são de um levantamento feito pela Sanepar a pedido da Gazeta do Povo. Na conta, em todos os bairros da capital o volume de água gasto diariamente por morador está acima do mínimo de 80 litros recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

INFOGRÁFICO: Quanto mais periféricos são os bairros, menor o consumo de água, confira

O levantamento considerou apenas as unidades residenciais. Áreas com muito comércio, escola, hospitais ou indústrias poderiam distorcer o cálculo do volume gasto por pessoa. Os dados são de setembro. O gerente comercial comentou que, em meses mais frios, a média paranaense chega a 120 litros por pessoa ao dia e vai a 180 nos períodos mais quentes.

Quanto mais afastado o bairro é do centro da cidade, menor o consumo. Gerente comercial da Sanepar, Luiz Carlos Braz de Jesus percebe a relação direta entre consumo de água e poder aquisitivo das famílias. Contudo, a diferença na faixa de renda é proporcionalmente maior. Na comparação entre extremos, a renda média per capita no Batel é sete vezes maior do que a do São Miguel, já o consumo de água é "apenas" três vezes maior em relação ao bairro com menor gasto por pessoa.

Fatores

Uma casa maior acaba exigindo gastos consideráveis na limpeza. Mais ainda se tiver jardim. A presença de muitos eletrodomésticos, como lavadoras de roupa e louça, pode representar o uso de mais metros cúbicos de água. "Alguns equipamentos até são econômicos, mas depende de como são usados. Se a máquina de lavar for usada sempre com todos os ciclos possíveis, com vários enxagues por exemplo, vai gastar bastante", diz.

Entre os fatores que impulsionam o consumo estão chuveiros aquecidos pelo sistema a gás, banheiras e piscinas. Condomínios que não têm cobrança individualizada também registram gastos maiores. "Se não há a percepção de quanto cada apartamento ou casa gasta, costuma haver desperdício. Mesmo sem equipamento individualizado, uma metodologia de rateio por habitantes já ajuda", diz. A legislação determina hidrômetros por unidade habitacional em condomínios recentes, mas não obriga a instalação em antigos.

Fatura básica desestimula a economia?

A política de estabelecer uma tarifa mínima – para consumo de até 10 metros cúbicos por mês – costuma gerar controversa. Se os moradores gastam menos do que isso, não ganham benefício algum que incentive a usar menos água. Gerente comercial da Sanepar, Luiz Carlos Braz de Jesus explica que a tarifa mínima foi calculada para garantir que uma família de quatro pessoas possa consumir, cada um, 80 litros de água diariamente.

Para o gerente, a tarifa mínima já funciona como um limitador de consumo. O valor serviria para cobrir os custos fixos, como o pagamento de pessoal e a instalação da infraestrutura da rede. "Precisamos fornecer o produto 24 horas por dia. Não posso ter uma estação que funcione só quando o cliente precisa, mas sim o tempo todo", comenta.

Poder aquisitivo alto não é sinônimo de gastança

O aumento na qualidade de vida – principalmente nos países chamados emergentes – acabou tornando mais acessível vários tipos de produtos. Imagine se todos os chineses começassem a consumir nos mesmos padrões dos norte-americanos? A China tem um em cada seis habitantes do mundo. Entre as entidades que buscam o consumo consciente está o Instituto Akatu, principalmente com ações que visam sensibilizar as pessoas sobre a impossibilidade de continuar adotando práticas impactantes para o planeta.

Para Dalberto Adulis, consultor de conteúdo do Instituto Akatu, não há motivo algum para o consumo de água estar necessariamente relacionado ao poder aquisitivo. Muito pelo contrário. Pessoas com mais renda têm condições, por exemplo, de fazer adaptações nas casas para reutilizar a água. Além disso, quem viaja mais pode conhecer realidades de países com escassez de água e perceber que é uma realidade a ser evitada no Brasil. O Akatu lançou a campanha #águapedeágua, com o slogan "Sem água somos todos miseráveis", para tentar "desautomatizar" o consumo de água, mostrando que é possível viver bem sem gastar muito.

15 bairros podem ficar sem água no sábado

Uma interrupção programada de energia elétrica poderá afetar o abastecimento de água em 15 bairros de Curitiba no sábado . A manutenção do sistema elétrico do reservatório do Portão deve afetar a distribuição. Os serviços começarão às 9 horas e o abastecimento deve ser normalizado até a noite de sábado. Os bairros que podem ser afetados pelo desabastecimento temporário são: Água Verde, Capão Raso, Fanny, Portão, Fazendinha, Guaíra, Lindoia, Vila Izabel, Santa Quitéria, Novo Mundo, Pinheirinho, Seminário, Xaxim, Cidade Industrial e Boqueirão.

Você incorporou alguma atitude para economizar água?Deixe seu comentário abaixo e participe do debate.

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