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Londrina

Ambientalista acusa "voto de cabresto" para Meio Ambiente

Representantes no Conselho Municipal do Meio Ambiente que ocupam cargos comissionados na prefeitura estariam sendo pressionados a votar com o governo

A administração municipal de Londrina, no Norte do Paraná, estaria pressionando representantes no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) que ocupam cargos comissionados na prefeitura a acompanhar as posições do governo nas votações. A denúncia foi feita pelo secretário do Consemma e integrante da ONG MAE, Carlos Eduardo Levy, e consta da ata da 54ª reunião do órgão, realizada no dia 26 de fevereiro.

No documento, Levy diz estar "preocupado com a política que está sendo adotada de voto de cabestro" que, na opinião dele, poderia tirar a legitimidade do conselho. Na mesma ata, Levy afirma ter acompanhado uma reunião na qual o secretário municipal do Ambiente, Gérson da Silva, disse a esses conselheiros que eles "deverão votar com o governo sob pena de sofrerem as conseqüências".

"Essa é uma acusação leviana, improcedente", reagiu o secretário, negando a existência de pressões. Silva afirmou que conselheiros que ocupam cargos comissionados já votaram contra a administração mais de uma vez. Ele atribuiu a postura de Levy como uma tentativa das ONGs de desqualificar pessoas que têm "militância (ambiental) histórica" e que hoje participam da administração municipal. "Querem cassar a história dessas pessoas", criticou.

Para Silva, "é legítimo que os representantes do governo votem com o governo". "Os representantes do setor produtivo vão votar com o setor produtivo e os representantes das ONGs vão votar com as ONGs. É assim que acontece", defendeu.

Multa

Levy confirmou as declarações que constam da ata em entrevista ao JL e explicou que a pressão foi exercida em votações importantes, nas quais estavam em jogo interesses da administração municipal. Um exemplo seria a votação sobre a multa a ser aplicada para quem não adotar a coleta seletiva de lixo.

Neste caso, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) seria multada e, sob o pretexto de reverter a multa contra o órgão público, a administração teria pressionado os conselheiros a liberar todos da punição. "A pretexto de retirar esta multa, (a administração) retirou esta e todas as outras", criticou o ambientalista.

De acordo com Levy, outro episódio em que a pressão sobre os ocupantes de cargos comissionados teria sido decisiva foi no caso da instalação de uma pedreira na cidade. "Houve pressão do governo", declarou o ambientalista. "Vários conselheiros disseram que estavam sendo pressionados, recebendo telefonemas de secretários", prosseguiu. Para Levy, a administração municipal fez bem em incentivar os conselhos. "Agora vejo uma coisa muito ruim na manipulação dos conselhos", concluiu.

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