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Máfia dos sanguessugas

Ambulâncias viram sucata no interior

Ponta Grossa – Num flagrante de duplo desperdício do dinheiro público, um em cada três veículos vendidos pela chamada máfia dos sanguessugas no Paraná não está servindo à população. Por falta de documentos, manutenção e condições de higiene, ambulâncias e ônibus se acumulam em pátios de prefeituras paranaenses. Há até um caso de venda de veículo como sucata.

A Controladoria-Geral da União (CGU) investiga a atuação da quadrilha em pelo menos 75 cidades paranaenses, com a comercialização de 84 veículos, avaliados em R$ 5 milhões. O Paraná está em segundo lugar em número de municípios envolvidos. O foco no estado levou a máfia a montar uma empresa de fachada em território paranaense. Mas no local onde deveria funcionar a Vedovel, em Curitiba, existem apenas casebres habitados há 20 anos pela mesma família.

Para mostrar como o esquema funcionava, a Gazeta do Povo entrou em contato durante a semana passada com prefeituras citadas pelo relatório da CGU. Mais da metade das administrações municipais encaminharam documentos ao jornal que demonstram a forma de atuação da máfia no estado. Assim como aconteceu em âmbito nacional, a maioria dos contratos supostamente fraudulentos foi firmada entre os anos de 2001 e 2003. De 2004 para cá, o sistema arrefeceu.

O caso começa a ser investigado localmente apenas agora. Apenas em sete municípios foram tomadas providências efetivas para apurar evidências de irregularidades na compra dos veículos. Em algumas localidades o processo de apuração será particularmente difícil. Muitos documentos que deveriam integrar o processo de licitação simplesmente sumiram. Mas a caça aos responsáveis já foi iniciada, uma vez que na maioria dos casos houve troca de comando nos governos municipais e os atuais prefeitos determinaram uma varredura completa.

A máfia se concentrava em cidades pequenas, que têm dificuldades de atendimento médico, precisam transportar pacientes e conseguem mais facilmente liberação de recursos pelo Ministério da Saúde para a aquisição de unidades móveis.

O mapeamento feito a partir das respostas encaminhadas por 37 prefeituras mostra que a quantidade de ônibus vendidos pelas empresas no estado é equiparado com o número de ambulâncias. E são os veículos maiores – que foram comprados já com alguns anos de uso e adaptados para serem consultórios móveis – que apresentaram mais problemas. Os dados também confirmam que dois ex-deputados e um atual parlamentar concentram o intermédio para a liberação de recursos. Na amostra de mais da metade das prefeituras citadas, Basílio Vilani (PSDB) teria envolvimento em pelo menos nove casos, Santos Filho (PFL) em seis e Íris Simões (PTB) em quatro. De acordo com depoimento dos chefes da máfia, alguns prefeitos também recebiam propina para facilitar as licitações. Seriam pelo menos cinco casos no Paraná. Tanto deputados quanto prefeitos negam participação no esquema.

Com raras exceções, sempre as mesmas empresas participavam das licitações. De acordo com as investigações da Polícia Federal, pelo menos 12 revendas de veículos adaptados se envolviam na disputa, que era vencida pelas empresas comandadas por Darci e Luiz Antônio Trevisan Vedoin. Klass e Santa Maria, que também pertencem à família Vedoin, ganharam licitações em pelo menos 27 das 37 prefeituras que responderam o questionário da Gazeta do Povo.

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