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Crime

Anapu lembra a morte da irmã Dorothy

Anapu, PA (AE) – A pequena cidade de Anapu, a 600 quilômetros de Belém, decidiu reverenciar ontem o primeiro aniversário da morte da missionária Dorothy Stang trocando o clima de tristeza por uma animada celebração.

Pela manhã, foi celebrada missa na Igreja de Santa Luzia em memória da religiosa animada por um grupo musical comunitário, que abriu a programação ao som do pagode "Mulheres". Com letra adaptada em homenagem à freira, a música, de Martinho da Vila, provocou muita animação nos presentes. A missa terminou ao som do clássico de Luiz Gonzaga, "Asa Branca", com letra também adaptada. À tarde, houve ato público e passeata até o túmulo onde está sepultada a freira. A programação terminou, à noite, com o Forró da Dorothy, no centro comunitário da cidade, onde foi construído um placa luminosa com a imagem da religiosa.

Repercussão

Veículos internacionais de comunicação, como a britânica BBC, a americana ABC e a National Geographic, estiveram presentes à celebração. A congregação das Irmãs de Notre Damme mandou representantes de três continentes a Anapu. O governo federal esteve representado nos eventos pelo ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e pelo secretário nacional de Direitos Humanos, ministro Paulo Vannucci.

Apesar da tentativa de dar um caráter festivo à celebração, várias pessoas se emocionaram e não contiveram as lágrimas. Foi o caso da irmã Neuda, que conviveu com Dorothy nos últimos anos. Houve também grande comoção no ato público realizado por mais de mil pessoas em volta do túmulo de Dorothy, em volta do qual foram fincadas 882 cruzes brancas e vermelhas, em homenagem a líderes sindicais e comunitários mortos (774) e marcados para morrer (48) na luta pela terra. A missa foi cosselebrada por um dos figurantes da lista de jurados de morte, o bispo de Altamira, dom Erwin Krautler.

Combate

O ministro interino da Justiça informou que o governo fará todo o possível para identificar outros eventuais envolvidos no assassinato, intensificar as ações de combate à impunidade e restabelecer o clima de paz na região. Ele aproveitou para mandar um aviso aos sindicatos rurais que ameaçaram resistir à bala às ações do governo de combate à grilagem. "Esse tempo de faroeste acabou. O Estado não teme esse tipo de bravata e vai usar todos os seus meios para marcar sua presença na região, inclusive com ações ostensivas."

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