
Ao bater de frente com quatro colegas de primeiro escalão e com a bancada ruralista no Congresso Nacional, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi chamado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma conversa na tarde de ontem. Foi a segunda audiência, em uma semana, entre Lula e Minc para debater as polêmicas em que o ministro se envolve. Apesar de boatos de que não resistiria à pressão e sairia do cargo, Minc garante que tem o apoio do presidente e que permanece comandando o ministério.
"Tremei, poluidores!", avisa, reconhecendo que vai medir mais as palavras, mantendo a postura rigorosa ao mesmo tempo em que evitará polêmicas. "Aqui no parlamento pediram o meu pescoço, mas pelo que me consta, ele ainda está no mesmo lugar e provavelmente vai ficar até o fim do governo Lula, então temos que nos entender." O ministro participou ontem de sessão da Comissão de Meio Ambiente da Câmara para discutir a proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende transformar o cerrado e a caatinga em patrimônios nacionais.
Minc afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estão contentes com o trabalho da pasta. Segundo Minc, o ambiente deixou de ser problema para o desenvolvimento do país.
"Na quinta-feira passada estive com o presidente e ele disse que estava muito contente com o ministério por três razões: primeiro porque o desmatamento da Amazônia caiu pela metade, segundo porque o número de licenças dobrou e terceiro porque tenho bom humor", conta. Segundo o ministro, Lula disse que ele briga tem de tomar cuidado ao falar publicamente de colegas. "Como ministro obediente ao meu chefe, não farei mais polêmicas públicas com outros ministros", promete.
O ministro disse que os ruralistas estão dispostos a "tirar uma picanha do Carlinhos Minc". "Aqueles que acham que com insultos, provocações, vão pedir o meu pobre pescocinho, que vou abrir a guarda, estão muito enganados", diz. "Não perdem por esperar. Nossa resposta vai ser intensificar a luta."
Minc disse que deve estar "incomodando muita gente", por isso os ruralistas decidiram pedir o seu afastamento do cargo. "O desmatamento está caindo e estamos pegando boi pirata", lembra. "Não vão transformar a Amazônia em carvão. Podem chiar, podem pedir a cabeça, vou continuar combatendo a impunidade ambiental."
A Comissão de Desenvolvimento Sustentável da Câmara transformou o debate numa espécie de desagravo ao ministro. Cercado por deputados favoráveis às causas ambientais, Minc foi aplaudido. Nenhum deputado da bancada ruralista compareceu para debater com o ministro.
Minc criticou colegas ao afirmar que vem lutando sozinho pela defesa ambiental. Chegou a afirmar que os ministros pegavam suas "machadinhas" para ir ao Congresso "esquartejar" a lei ambiental e reclamou do titular da pasta da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Também comprou briga com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, por causa do suposto atraso nas licenças de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Apesar da briga com a bancada ruralista, Minc disse que está disposto ao diálogo. "Vamos dialogar com todo mundo, até com ruralistas", garante. "Mas ao que me consta não são eles que nomeiam ou demitem ministros, é o presidente Lula."
Ontem, Lula e Minc receberam artistas, como Cristiane Torloni e Victor Fasano, que entregaram um abaixo-assinado a favor da preservação da Amazônia. Minc e Lula devem estar juntos hoje na Bahia, anunciando a criação de quatro unidades de conservação ambiental.



