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Litoral

Após 4 horas de bloqueio, ferryboate volta a operar

Um acordo feito, no início da tarde de ontem, entre uma comissão de pescadores de Guaratuba, de representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Polícia Federal pôs fim ao bloqueio da travessia do ferry-boate para o litoral do Paraná (por Guaratuba), que durou cerca de quatro horas. Segundo a F.Andreis, empresa que administra o serviço, mil veículos deixaram de ser transportados em 50 travessias que estavam programadas para ocorrer no período.

Os motoristas que precisaram passar pelo local durante o bloqueio tiveram de enfrentar congestionamentos de até cinco quilômetros. A travessia das balsas foi normalizada por volta das 14 horas.

O bloqueio foi feito por cerca de 300 pescadores, que amarraram dez embarcações nas balsas impossibilitando a travessia. A atitude foi tomada em protesto à fiscalização ambiental ocorrida nos últimos dias. Desde segunda-feira, uma operação do IAP, Ibama, Força Verde, Polícia Federal e Marinha tem autuado os pescadores.

O presidente da colônia de pescadores de Guaratuba, Álvaro Cunha, conta que o problema está relacionado às licenças para a pesca de arrasto do camarão, que não estão mais sendo concedidas desde 1989, e também com o atraso ocorrido com a regularização de outras documentações. "É um absurdo. Os pescadores estão precisando trabalhar."

De acordo com Cunha, o número de pescadores no município aumentou em 20% no último ano. Hoje são 5,7 mil associados à colônia de Guaratuba. "Está faltando emprego no litoral. Então o pessoal procura na pesca um meio de sobrevivência." Na opinião do chefe regional do IAP no litoral, Reginato Bueno, o aumento ocorreu porque, diferente deste ano, em 2005 houve o defeso do camarão na mesma época. Segundo explicou o chefe do Ibama em Paranaguá, Lício Domit, as licenças para a pesca de camarão não são mais emitidas para preservar o recurso pesqueiro.

Apesar do acerto, os dois lados extaltaram resultados diferentes obtidos com a reunião. O presidente da colônia de pescadores de Guaratuba disse que a promessa foi de não haver mais fiscalização nos próximos 90 dias, até que os pescadores regularizem a situação. Já o chefe regional do IAP no litoral disse que as fiscalizações irão continuar e que apenas serão aceitos os protocolos de renovação de licença junto com o documento que comprove o licenciamento antigo.

Os pescadores também reclamam da forma truculenta como a fiscalização vem agindo. O pescador Eliomar Nogueira, 45 anos, diz que foi abordado com um fiscal armado durante à noite. "Estou há seis meses tentando regularizar a minha documentação, mas um órgão só joga para o outro." O chefe do Ibama em Paranaguá informou que a técnica de abordagem segue um método de segurança padrão. "Não existe isso, de fiscal chegar apontando a arma", afirma.

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