Um pedido de providências protocolado pelo deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) alterou o roteiro da marcha da maconha, que será realizada neste sábado (19), em Curitiba. No texto, o parlamentar pedia que os organizadores da marcha não utilizassem o mesmo espaço público em que também será realizada a Marcha para Jesus, também marcada para este sábado.
A marcha pela descriminalização e legalização da maconha será realizada na Boca Maldita, no Centro da capital, com concentração às 14 horas e ato marcado para as 16h20 no mesmo local. A ideia inicial era seguir em marcha até o Parque Barigui, mas, segundo a decisão da Justiça, a manifestação deverá ser realizada de forma "estática".
A Marcha para Jesus terá concentração na Praça Santos Andrade e seguirá até a Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico. A manifestação dos evangélicos faz parte do calendário oficial de eventos de Curitiba após ser instituída pela Lei Municipal nº 11.361, de 2005, e já estava previamente agendada para este sábado.
Em uma reunião entre os representantes de ambas as marchas, na tarde desta sexta-feira (18), juntamente com o advogado de Francischini e o juiz Pedro Luís Sanson Corat, da Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba, ficou definido que a manifestação pela descriminalização da maconha seria estática, e não mais uma marcha, e em horário diferente da Marcha para Jesus.
A justificativa do deputado para o pedido foi de que os participantes de ambos os atos se encontrariam no Cento da capital paranaense, e que havia o risco de confusão entre os grupos "por causa de ânimos exaltados". Francischini é um dos organizadores da Marcha para Jesus.
Segundo Phillipe Trindade, que faz parte da organização colaborativa da Marcha da Maconha, a coincidência de datas foi um descuido da organização. "Foi um descuido nosso, já que eles [Marcha para Jesus] estão amparados pela legislação municipal. Mas, quando recebemos o pedido de informação do juiz e percebemos que seria no mesmo dia, nos propusemos a alterar o roteiro. Só não aceitamos mudar a data da marcha porque já tínhamos divulgado tudo", disse.
Trindade reforça que o ato é pacífico e faz um apelo aos participantes para que respeitem a lei e não levem maconha para o evento, e nem fumem no local. "A marcha é um evento realizado para gerar mídia, para que ocorra uma discussão sobre a descriminalização da maconha e sua legalização e regulamentação. Mas fumar ainda é crime", completou.
Até a noite desta sexta-feira (18), mais de 1,2 mil pessoas estavam confirmadas na marcha pela página do evento no Facebook. Neste ano, a marcha da maconha será realizada, segundo dados oficiais, em outras 37 cidades do país.
Manifestação autorizada
A marcha da maconha foi proibida pela Justiça nos três anos anteriores. Em 2011, o juiz Pedro Luís Sanson Corat, da Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba, atendeu a uma medida cautelar proposta pelo deputado estadual Leonaldo Paranhos (PSC) e pelo deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), que alegaram que o ato faz apologia ao uso da maconha, droga cuja comercialização e utilização é proibida. Nos anos anteriores, a medida cautelar foi proposta pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná.
Em 2011, os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que a realização da marcha não pode ser enquadrada na Lei de Tóxico (que criminaliza o ato de induzir ou auxiliar alguém ao uso de drogas). O STF entendeu que o ato preconiza apenas o direito à livre manifestação.







