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Saúde

Aposentado é a segunda vítima da dengue este ano no Paraná

Morador de Doutor Camargo tomava remédio não indicado em caso da doença

Maringá – A 15.ª Regional da Secretaria de Estado da Saúde confirmou ontem a segunda morte por dengue do ano no Paraná. O aposentado Elios Fusco, 66 anos, morreu na sexta-feira da semana passada, em Maringá, depois de ter contraído a dengue do tipo clássica. Antes deste ano, a última morte causada pela doença no Paraná ocorreu em 2003. O primeiro óbito em 2007 foi registrado no último dia 19. A pecuarista Maria Izabel Gil dos Reis, 58 anos, sentiu os primeiros sintomas da dengue em Maringá e mudou-se poucos dias depois para Londrina, onde veio a falecer.

Morador em Doutor Camargo, na região de Maringá, Fusco tinha problemas cardíacos, úlcera, diabete e colesterol e foi internado no Hospital Universitário de Maringá (HUM) na tarde do dia 18 com hemorragia estomacal. A filha Maria Cristina Fusco explica que o pai deve ter piorado depois de ser picado pelo mosquito Aedes aegypti, pois ele tomava continuamente o medicamento AAS (ácido acetil salicílico). O remédio não é indicado em casos de dengue. Além de Cristina, outras duas pessoas da família também pegaram a doença.

O secretário de Saúde de Doutor Camargo, Armando Cavalieri, informou que há 35 casos positivos e aproximadamente 60 notificações na cidade. Ele lamentou a morte de Fusco e anunciou que está trabalhando para evitar que a doença se alastre. Ele mesmo tem ido às salas de aula e igrejas pedindo a ajuda da população, já que a secretaria dispõe de apenas três funcionários para o trabalho.

A chefe da sessão de Epidemiologia da 15.ª Regional de Saúde, Norico Miyagui, disse que o combate à dengue foi reforçado em uma reunião no último dia 14 com os gestores dos 30 municípios da regional. Segundo ela, todos os dias há contatos com a vigilância das regiões Norte e Noroeste, que têm duas cidades entre as mais infectadas no estado: Maringá e Paiçandu.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná registrou até ontem 3.203 casos positivos, sendo 2.884 autóctones (com origem local), 299 importados e 20 em investigação. As cidades com maior incidência são Ubiratã com 623 casos, Maringá com 536, Santa Helena com 305, Foz do Iguaçu com 288, Paiçandu com 201 e Marechal Cândido Rondon com 178 ocorrências.

Em Maringá os casos crescem a cada dia. Até ontem eram 536 confirmações e 2.177 notificações, contra 96 confirmações e 351 notificações no ano passado. A cidade está prestes a atingir a estatística da epidemia de 2002, quando foram registrados 637 casos. Uma mulher de 28 anos está internada com dengue hemorrágica no Hospital Santa Casa desde a última terça-feira, tendo os sintomas há 20 dias. Ela deve sair da UTI hoje.

A Secretaria de Saúde de Maringá orienta que os moradores mantenham o quintal limpo e eliminem todos os recipientes que possam acumular água parada. Outro pedido é que qualquer pessoa que suspeite ter contraído a doença procure uma unidade básica de saúde ou um hospital para notificar o caso. Foi o que fez ontem a doméstica Maria Tereza de Souza, 46 anos. Ela sentiu dores pelo corpo e tontura na última quarta-feira e ontem à tarde foi até o Posto de Saúde da Vila Operária, onde foi atendida. Dois filhos e uma nora dela já pegaram dengue neste ano e os cuidados preventivos evitaram maiores problemas na família dela.

Para a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de Maringá, Janete Veltrini, todo cuidado é pouco, já que os vírus atacam todas as faixas etárias e cada pessoa tem um sistema imunológico diferente da outra. "É preciso estabelecer vínculo com a dengue em qualquer sintoma e não pensar que é uma gripe ou que vai passar logo", orientou.

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