Em União da Vitória, a 240 km de Curitiba, uma briga por terras está mobilizando 220 pessoas e a prefeitura. Os cidadãos fazem parte de 40 famílias que ocupam casas construídas há mais de 100 anos nas proximidades da antiga linha ferroviária que corta o município. Segundo eles, a atual administração quer expulsá-los dali, demolir as casas e lucrar com a área de pouco menos de 76 mil metros quadrados no centro da cidade.
"É tanta pressão que uma família já cedeu e teve sua casa derrubada, o que oferece risco a todas as outras, já que elas foram construídas lado a lado", explica o presidente da Associação de Moradores da Vila Ferroviária, Admilson de Lara Rocha. "Tem gente que mora ali há mais de 70 anos", acrescenta. Ele conta que um acordo determinou que os lotes, que eram de propriedade da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima, extinta em 2007, seriam repassados aos moradores.
Para tentar convencer os moradores, a prefeitura ofereceu moradia a eles em conjuntos habitacionais ou de prédios na cidade, o que Rocha diz que não é aceitável. "Em um deles, nossa renda precisa se adequar ao programa Minha Casa, Minha Vida. Em outro, temos que pagar R$ 9 mil de entrada mais R$ 500 mensais, o que não condiz com o que ganhamos", argumenta ele.
A associação que foi formada recentemente para que seja possível entrar com uma ação civil pública contra a prefeitura, tenta de tudo para manter as casas, e até considera recorrer ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para tombá-las.
Outro lado
A prefeitura de União da Vitória conta que é proprietária do terreno desde 2004 e que mantém um projeto para criar um novo Centro Cívico por lá com uma Câmara de Vereadores, Associação Comercial, Fórum Cível e que há parcerias com órgãos do governo para construir escolas e centros culturais.
De acordo com a presidente da Companhia de Desenvolvimento e Habitação de União da Vitória (CIAHAB), Marilda Machnicki, as casas ocupadas estão em péssimas condições de manutenção e que oferecem risco aos próprios moradores. "Ao meu ver, eles não querem sair de onde estão porque moram na área nobre do município sem pagar aluguel e imposto à prefeitura. Eles precisam pensar no bem da cidade e não apenas em si mesmos", destaca.



