
Mesmo com um aumento no ritmo de apreensões de armas de fogo no Paraná, o número de mortes violentas continua subindo em todo o estado. O desarmamento da população é notoriamente apontado como saída para reduzir os índices de violência. A relação foi amplamente explorada pelo governo federal durante a campanha do desarmamento entre 2004 e 2005.
Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) mostram que aumentaram em 50% as apreensões de armas entre 2008 e 2009. Os homicícios dolosos, cometidos em sua maioria com armas de fogo, no entanto, não diminuíram. Segundo o relatório estatístico da Sesp, foram registrados 1.490 inquéritos desse tipo de crime no primeiro semestre do ano passado isso significa 7% a mais que no mesmo período do ano passado.
O relatório oficial divulgado pela secretaria não traz dados do segundo semestre de 2009 ou do início de 2010, mas levantamento feito pela Gazeta do Povo mostra que não houve reversão desse quadro. Por um lado, houve repressão ao armamento. Pelo menos 9,7 mil armas foram apreendidas no ano passado pelas polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Estadual e Rodoviária Federal. Além disso, em 2009, foi feito o recadastramento de armas de fogo em todo o país, para mensurar o número de armas em circulação e verificar se as mesmas não têm sido utilizadas para o crime. Apenas no Paraná, 37.904 armas foram recadastradas.
Por outro lado, tirar quase 10 mil armas de circulação e monitorar outras 38 mil não foi suficiente para reduzir a a criminalidade na área mais violenta do estado. Levantamento feito no Instituto Médico-Legal (IML) mostra que 361 pessoas morreram por ferimentos causados por armas de fogo em Curitiba e região metropolitana número 35% superior ao primeiro bimestre do ano passado.
Perda de força
Para o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, autor do estudo Mapa da Violência dos Municípios, os números levantados pela Gazeta do Povo evidenciam um arrefecimento da campanha do desarmamento. "Não temos um bom panorama. Os primeiros efeitos da campanha foram bons, mas ela perdeu força", diz.
Segundo o estudo de Jacobo, publicado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e pelos ministérios da Justiça e da Saúde, de 2003 para 2004 houve uma queda de 5,3% no número de homicídios por arma de fogo. De 2004 para 2005, de 2,8%; e, em 2006, de 1,8%. Desde então, não foram divulgados mais dados em âmbito nacional. No entanto, de acordo com Jacobo, apenas alguns estados, de maneiras específicas, têm conseguido promover uma redução no número de homicídios. "São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais conseguiram diminuir o número de mortes por arma de fogo, mas isso se deve a uma soma de razões que vão além da retirada de armas de fogo de circulação."
O secretário municipal de Segurança Pública de São José dos Pinhais, Marcelo Jugend, diz que o endurecimento da legislação que controla a posse de armas e a apreensão de armamento contribui para a redução da criminalidade. Mas, segundo ele, outras variáveis influem na questão. "Há a relação entre homicídios e tráfico de drogas e não podemos esquecer que, se muitas armas são apreendidas, um número muito grande continua entrando pelas nossas fronteiras."



