O coordenador do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná, Sílvio Parucker, afirma que o enclausuramento dos cidadãos dentro de suas casas não é benéfico para a sociedade como um todo. Segundo ele, ao se criar espaços privados pretensamente seguros, as pessoas de certa forma abandonam o ambiente público, que corre o risco de degradar-se e de ser apropriado pela marginalidade. "A rua passa a ser de ninguém."
Parucker diz que as casas que se inserem no ambiente da vizinhança ou seja, que permitam a visualização da rua e dos vizinhos podem ser um importante elemento para a segurança da comunidade. Residências sem muros altos permitem que se veja o que está acontecendo na rua e que se possa, eventualmente, observar e denunciar um assaltante que tenta entrar na casa de um vizinho. "O ideal seria que cada um pudesse cuidar da segurança de sua própria comunidade."
O arquiteto ainda lembra que a segurança pública deveria ser garantida pelo estado e não por meio de projetos arquitetônicos. "Não é a arquitetura que vai resolver o problema da violência", diz Parucker. A arquiteta Sônia Ferraz afirma ainda que a sociedade precisa resolver o problema da concentração que renda, que acaba opondo aqueles que ganham muito aos que nada têm.



