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Infância

As impressões atuais não passam de borrões

Entrevista com o pesquisador premiado pelo Ministério da Saúde Daniel Weingaertner

Qual é a sua avaliação do método atual de identificação de bebês?

De acordo com nossos experimentos, e especialmente com a literatura disponível sobre o assunto, as impressões tomadas com tinta e papel não servem para a identificação neonatal. Na absoluta maioria dos casos não passam de borrões. O maior problema está na técnica de coleta. Uma coleta com o protótipo de sensor que desenvolvemos produziu resultados bem melhores nos pés. Na técnica com tinta e papel não é possível utilizar as mãos, porque os recém-nascidos não as abrem com facilidade. Com o sensor tornou-se fácil coletar essas impressões palmares e as imagens ficam muito melhores para a identificação.

Que vantagens a técnica que desenvolveu traria se implantada em maternidades?

Eu creio que um sistema implantado corretamente serviria para fazer uma checagem periódica, ou pelo menos no momento da saída da maternidade, comparando a impressão digital materna à impressão palmar ou plantar do recém-nascido. Seria um aspecto que aumentaria a segurança do bebê, além de possibilitar o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas só isso não adianta. Naturalmente o ambiente precisa estar preparado para receber este tipo de infraestrutura com pessoal treinado, controle de circulação, entre outros.

O que falta para que a implantação seja uma realidade?

Há duas questões que precisam ser abordadas para viabilizar a utilização dessa tecnologia pela sociedade: a primeira é desenvolver ou adequar um sensor para coletar as impressões palmares de maneira fácil e confiável. Algo semelhante aos sensores de impressão digital existentes hoje, mas com mais resolução e levando em consideração as características específicas do problema. Para tanto, é fundamental a participação de uma empresa. A universidade não tem capacidade de criar e comercializar um produto, pode apenas auxiliar ou encabeçar seu desenvolvimento. Portanto, estamos à procura de interessados. A outra coisa é desenvolver um sistema (software, acessórios) que permita uma fácil identificação a partir das imagens produzidas pelo sensor, uma vez que o software vai depender fortemente da qualidade das imagens produzidas.

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