Moradores da Rua Heron Wanderley, no bairro Tatuquara, em Curitiba, estão há cerca de um mês sem receber correspondências. Segundo eles, o serviço dos Correios foi suspenso no local porque o carteiro que trabalha no setor quase foi mordido por um dos muitos cachorros que andam soltos pela rua. Depois da tentativa de "ataque", o trabalhador teria informado que não voltaria mais ao lugar.
Gilberto de Almeida Borges, um dos moradores da Rua Heron Wanderley, disse que, atualmente, cerca de vinte cães circulam por ali sem nenhum tipo de cuidado. A grande maioria é animal de porte grande, o que também chega a assustar os pedestres.
"A culpa não é do cachorro. O problema é que todos esses cachorros que estão aí na rua têm dono, só que eles nunca cuidam do bicho. Agora se a gente for tomar alguma providência, eles aparecem", relata o morador.
De acordo com Borges, a prefeitura já foi acionada, mas até agora nenhuma providência foi tomada. Ele disse também que os Correios informaram alguns de seus vizinhos que a suspensão acontece por causa dos cachorros que vivem na rua.
Por enquanto, a única solução para evitar os juros nas contas que chegam por correspondência tem sido ir até uma agência dos Correios mais próxima para tentar localizar o documento. "Por sorte, estou uns dias de folga e consigo ir atrás. Mas depois, vou ligar lá na Caixa e dizer para eles não mandarem a fatura do cartão porque não chega aqui? Não dá, né. O que a gente quer é uma atitude, da prefeitura, dos donos desses cachorros, seja de quem for", declara.
Os Correios confirmaram que suspenderam há 16 dias as entregas na rua e disseram que a decisão é uma medida preventiva, já que o carteiro não chegou a ser mordido neste caso. A empresa informou ainda que interrupção afeta metade da rua, mas não soube precisar o tamanho da via e quantas casas estariam sendo prejudicadas com a decisão.
A empresa afirmou ainda que quando suspende a entrega de correspondências em algum local, o supervisor da unidade deixa um aviso na caixa de correio de cada morador. Nesse caso, como a concentração de cães é alta, não foi nem possível deixar o aviso.
Conforme os Correios, suspender a entrega em ruas onde há problemas com cachorros é uma medida comum da empresa para proteger os funcionários, já que este é um dos maiores riscos enfrentados pelos funcionários. Somente no ano passado foram 148 situações de "ataques caninos" a carteiros, sendo 42 em Curitiba. Do total de casos na capital, 11 foram na região do Tatuquara a CIC lugares onde mais se registra esse tipo de situação.
Um dos ataques, inclusive, chegou a render indenização. Na ocasião, a 2ª Vara Federal de Curitiba condenou uma moradora de Colombo, na Região Metropolitana, a pagar R$ 3 mil de indenização a um carteiro que foi atacado pelo cachorro dela, um pastor belga que escapou de casa quando a dona abriu o portão. O dinheiro deve ressarcir as despesas geradas pelo tratamento médico necessário por causa das feridas na panturrilha e na canela da perna direita e pelo afastamento do funcionário durante 15 dias.
Em nota, a prefeitura de Curitiba disse que uma equipe da Rede de Proteção Animal fará vistoria na rua até esta quarta-feira (8). O órgão ressaltou que, conforme a lei municipal, raças como mastin-napolitano, bull terrier, american stafforshire, pastor alemão, rottweiler, fila, doberman e pitbull devem ser recolhidos pela prefeitura caso estejam soltos, pois são consideradas perigosas. Além disso, segundo a lei, cães com peso superior a 20 kg também podem oferecer riscos à população e, por isso, também podem ser retirados das ruas.
Quando é comprovado um caso de abandono de cachorros, o proprietário pode ser punido. Aos infratores da lei, são aplicadas as seguintes penalidades: advertência verbal, notificação por escrito, auto de infração com multa e apreensão do cão, podendo ocasionar em casos de crime de desobediência, a detenção do proprietário ou responsável, perante a autoridade competente.



