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Comportamento

Atletas especiais seguem para a China

Esporte é aliado no desenvolvimento dos portadores de deficiência mental

NOVIDADE | Mauro Campos
NOVIDADE (Foto: Mauro Campos)

Com as malas arrumadas, ansiedade à flor da pele, mas muita vontade de competir, um grupo de atletas tem vivido nos últimos dias a superação de seus limites, à espera da viagem que vai levá-los para o outro lado do mundo. Não seria uma surpresa, se os nove participantes não sofressem de algum tipo de deficiência mental (DM). Eles estão entre 68 esportistas nacionais que irão participar dos Jogos Mundiais de Verão, em Xangai, na China, a partir de terça-feira. Para fazer parte da entidade responsável pela competição, a organização internacional Special Olympics, é preciso ser portador de DM.

Treinadores e familiares destacam que experiência será única e importante para o desenvolvimento individual. Para a técnica assistente de atletismo da delegação brasileira, a professora de educação física Gisele Pereira da Silva, "a participação esportiva possibilita aos atletas criar uma independência de vida. Muitos nem sabiam dobrar sua roupa. Hoje, eles conseguem ser mais autônomos."

Os pais também vibram a cada conquista. Tereza Cristina Eger, 58 anos, é mãe de José Renato, 35 anos, único participante do estado na natação. Ao saber da notícia, chorou de emoção. "É a prova de que é possível incluir o especial". José Renato é o mais velho dos dois filhos de Tereza. Sofre de paralisia cerebral, causada por falta de oxigenação no cérebro durante o parto. Por causa disso, teve a função motora comprometida e um atraso cognitivo, que diminui seu ritmo de aprendizagem. Na China, ele vai participar das provas de nado livre e de costas.

Gustavo Henrique Lopes, 16 anos, é um dos três paranaenses que disputam o atletismo nos Jogos Mundiais de Verão. Ele possui um déficit cognitivo leve e há um ano pratica o esporte. A professora de educação física Simone Binder Segan, da Escola Especial Eunice Cartuce, vai com o atleta na comitiva da família e afirma que o evento é um salto em seu desenvolvimento. "Hoje ele fala mais e tem uma auto-estima maior, porque se percebe integrado". Em 2008, Lopes irá para uma escola regular.

Felipe Augusto de Godoy, 22 anos, portador de déficit cognitivo leve, vai competir pela patinação. Há cinco anos conheceu o esporte e não abre mão dos treinos. Hoje, ele estuda no EJA (Educação de Jovens e adultos), treina três vezes por semana e trabalha em um supermercado há seis anos. "Além de fazer amigos, acredito que melhorarei ainda mais em tudo", diz.

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