Alunos e professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizam na tarde desta quarta-feira (25) um ato público no pátio da Reitoria da instituição para pedir a continuidade do sistema de cotas como forma de ingresso nas universidades. Aproximadamente 30 pessoas participam da manifestação. Eles irão acompanhar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que irá analisar a constitucionalidade das cotas.
O STF irá julgar se os critérios raciais ou de preferência para alunos oriundos do sistema público de ensino ferem ou não a Constituição Federal. Para o professor da área de Educação da UFPR, Paulo Vinicius Batista da Silva, este é um ato simbólico para discutir a necessidade da permanência das cotas no país. "A gente queria fazer algo com mais pessoas, mas a greve dos servidores federais atrapalhou nosso ato. Mesmo assim, vamos acompanhar o julgamento e esperar pela permanência das cotas", afirma.
O aluno de Direito Alexandre Madruga, de 19 anos, está no segundo ano do curso. Ele defende a permanência do critério racial como uma das formas de selecionar quem irá entrar no ensino superior. "Podemos dizer, por exemplo, que isso é uma indenização histórica por tudo que negros passaram no Brasil", afirma.
Já o aluno de Ciências Sociais Marco Aurélio Barbosa, de 34 anos, não entrou pelo sistema de cotas. "Mas sou totalmente favorável. Há uma dívida social com os negros. Temos que lutar contra o preconceito e termos, de fato, uma sociedade democrática", salienta.
Com visão semelhante o mestrando em Sociologia Roberto Jardim, de 33 anos, graduou-se ano passado em Ciências Sociais. "Eu entrei por cotas. A gente sabe que as oportunidades para negros e brancos não são iguais. Há racismo no país. As cotas podem ser consideradas uma forma desigual de tentar se chegar a uma igualdade social e racial", enfatiza.
Votação
O STF vota hoje se o ingresso nas universidades baseado em critérios raciais ou de preferência para alunos oriundos do sistema público de ensino fere ou não a Constituição Federal. Serão julgadas duas ações sobre o assunto.
A de maior relevância é a arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF 186), ajuizada em 2009 pelo partido DEM, tendo como alvo o sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB), criado em 2004. Na ação, o DEM alega que a política de cotas adotada na UnB fere preceitos da Constituição. A decisão sobre a ADPF vincula o poder judiciário e a administração pública, que deverão agir conforme o resultado do julgamento do Supremo. Ou seja, a decisão a respeito desta ação se estenderá ao restante do país.



