Três bandidos tentaram assaltar uma casa na Rua São Paulo, Jardim das Hortências, em Guarulhos (Grande São Paulo), neste domingo. Eles fizeram quatro pessoas reféns. Um dos filhos do dono da residência conseguiu se esconder debaixo da cama e chamar a polícia pelo celular. A PM cercou o local e houve troca de tiros. Dois bandidos foram mortos e um terceiro acabou baleado. Ele foi encaminhado ao Hospital Pedro Bento.
O dono da casa, que é proprietário de um mercado na região, disse que os mesmos bandidos já tinham assaltado o local outras três vezes. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os assaltantes tentaram fugir pelo fundo da casa, mas acabaram baleados. Wellinton Cleiton Pereira da Silva e Anivaldo Jesus dos Reis morreram no local. José Ozaniel dos Santos foi baleado. Ele deve prestar depoimento assim que for liberado pelo médico.
Os bandidos chegaram na casa por volta das 8 horas e roubaram mais de R$ 10 mil e vários cheques, que já foram devolvidos ao comerciante. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial da cidade.
Três mortos na sexta
Na última sexta-feira, uma quadrilha tentou roubar uma agência bancária em Guarulhos .Houve troca de tiros e três pessoas morreram: um soldado da Polícia Militar, um motoqueiro que passava pelo local e um dos bandidos. Os assaltantes fugiram em direção a região norte da capital e acabaram fazendo quatro pessoas reféns em uma casa. Pelo menos 12 pessoas ficaram feridas.
O corpo do soldado Aílton Lamas foi enterrado às 17h de sábado no mausoléu da Polícia Militar, no Cemitério do Araçá, zona oeste da capital. Participaram da cerimônia o comandante da PM, coronel Roberto Dinis, e o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. Em um rápido discurso, o capelão militar chamou o soldado de herói várias vezes. Não só pelo seu trabalho de combate ao crime, mas por colocar várias novas vidas no mundo. Ao longo de 22 anos de carreira, Aílton ajudou 15 mulheres a darem à luz.
Houve três salvas de tiros para homenagear o soldado. Na despedida, os companheiros bateram palmas. A mulher de Aílton abraçou o caixão. Ela estava com os filhos de Aílton, a cunhada e as sobrinhas. Dona Luzia, a mãe do soldado, teve que ser amparada pelo filho mais novo. A sogra do policial passou mal e teve que ser socorrida. O corpo do soldado foi velado no Hospital da Polícia Militar na zona norte, de onde saiu num caminhão do corpo de Bombeiros em direção ao cemitério. Moradores da zona norte, onde Aílton trabalhava, pararam para ver o cortejo.
O corpo do motoqueiro Leandro Rodrigues Marques, que foi atingido por uma bala perdida durante o tiroteio, também foi enterrado no sábado. Ao lado do corpo, todos custavam a acreditar na tragédia. Leandro ia comprar um presente para a namorada. Passou pelo lugar errado, na hora errada.
- Era o irmão caçula da turma, estou sem palavras. Não tinha vício, não tinha nada. Não tinha preguiça para trabalhar de sábado e domingo, era um cara disposto, sempre estava alegre - disse Cristiano Nunes, um amigo.
A jovem Diana, que ia ganhar um celular, perdeu o namorado. Durante o velório, tinha o rosto dele estampado na camiseta. O amigo que estava na moto com ele se emocionou quando lembrou de como tudo aconteceu.
- Os bandidos começaram a atirar para o lado dos policiais e os policias agacharam. A gente agachou também, mas acertou o meu colega e foi fatal. Eu pedi para alguém ajudar ele, parei um carro na avenida, coloquei ele dentro do carro - lamentou Édipo Marciano.
Dezenas de pessoas acompanharam o enterro de Leandro no Cemitério Vila Rio, em Guarulhos. Segundo a família, o jovem de 22 anos pretendia fazer faculdade, estava cheio de planos.
- Triste, lamentável. Pena que hoje sou eu que estou transtornado, amanhã será outra família e assim continua - disse Antônio dos Santos, padrasto do motoqueiro.
Entre os feridos, estão um carteiro e um estudante, que também estavam em ruas onde o tiroteio aconteceu. Policiais que participaram da operação já prestaram depoimento. As testemunhas também foram ouvidas pela polícia. Os bandidos conseguiram levar R$ 102 mil . O dinheiro roubado não foi recuperado até agora. Parte da quadrilha continua foragida.
Com a quadrilha, a polícia prendeu quatro fuzis, três pistolas, coletes à prova de balas e munição. O bandido que morreu foi identificado como Carlos Antônio da Silva, conhecido como Balengo. A polícia diz que Balengo participou do roubo ao Banco Central de Fortaleza, em 2005, onde foram levados cerca de R$ 165 milhões. Balengo havia sido preso pela Polícia Federal em 2006, quando ele e seu bando escavavam um túnel de 80 metros para furtar a sede do Banrisul, em Porto Alegre. Ele é considerado pela polícia como integrante do primeiro escalão da facção criminosa que age nos presídios de São Paulo.
O roubo em Guarulhos não foi a única ação ousada de bandidos na sexta-feira. A tesoureira de um banco da capital foi feita refém na noite de quinta-feira por uma quadrilha. Ela passou a madrugada em poder dos bandidos em sua própria casa e foi obrigada a ir na manhã desta sexta-feira a agência para retirar dois malotes contendo R$ 200 mil. Os bandidos colocaram uma microcâmera no corpo da refém para se certificar de que ela obedeceria a ordem dos criminosos.



